Blog de análise, discussão, sobre assuntos de Economia, Mercados, Finanças e Política Nacional e I

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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A lei do equilíbrio mundial dos Estados Unidos

ZBIGNIEW BRZEZINKSI

antigo conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos,
Professor de Política Externa Americana na Universidade Johns Hopkins.
02 Janeiro 2015, 12:19 por Zbigniew Brzezinksi
Uma conversa com Zbigniew Brzezinski, antigo conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos e actual professor de Política Externa Americana na Universidade Johns Hopkins

Com a invasão da Rússia à Ucrânia e a anexação da Crimeia, a desintegração do Iraque e das fronteiras da Síria e o aumento da assertividade da China nos mares do sul e do leste, a era do pós- Guerra Fria parece ter terminado em 2014. Isso é verdade?

O pós-Guerra Fria não foi verdadeiramente uma "era", mas antes uma transição gradual de uma Guerra Fria bilateral para uma ordem internacional mais complexa que ainda envolve, em última análise, duas potências mundiais. 
Em resumo, o eixo decisivo da nova ordem envolve cada vez mais os Estados Unidos e a República Popular da China. 
A concorrência Sino-Americana envolve duas realidades significativas que a distinguem da Guerra Fria: nenhuma parte é excessivamente ideológica na sua orientação; e ambas as partes reconhecem que precisam verdadeiramente de adaptação mútua. 

O suposto "pivot para a Ásia" da América deu lugar em 2014 às crises na Ucrânia e no Médio Oriente. 

Em que medida a incerteza sobre o compromisso dos Estados Unidos na Ásia alimentou a tensão entre a China e os aliados asiáticos da América? 
Discordo das premissas da questão. 
Penso que a América deixou muito claro que é do interesse quer dos Estados Unidos quer da China evitar situações em que eles possam ser colocados em rota de colisão. 
As indicações recentes de algum diálogo inicial entre a China e a Índia, e entre a China e o Japão, sugerem que a China também percebe que a escalada de mágoas antigas não é do seu interesse. 
O problema mais sério com o "pivot para a Ásia" foi a sua actual redacção, que implicou uma postura militar desenhada para "conter" ou "isolar" a China. 
Os chineses têm vindo a perceber mais claramente que não estávamos deliberadamente a tentar isolá-los, mas tivemos uma participação na prevenção de colisões no Extremo Oriente que poderiam provocar repercussões mais amplas.

Xi Jinping usou a sua guerra contra a corrupção para concentrar mais poder nas suas mãos do que qualquer outro líder chinês desde Deng Xiaoping, há 30 anos. 
Com vê a evolução da presidência de Xi? 
O poder na China é definido algo informalmente e os seus limites são definidos mais por realidades políticas do que por acordos constitucionais. 
Isso faz com que seja difícil dizer se o poder de Xi é maior do que qualquer outro líder chinês desde Deng. 
Tem certamente uma personalidade autoritária e, sem dúvida, é mais activo na cena internacional do que alguns dos seus antecessores. 
Também tem sido muito decisivo no ataque à crescente corrupção que se tornou uma fonte principal de mal-estar interno, alcançando ainda os níveis mais elevados de governo. 
A esse respeito, pode ser argumentado que o seu poder é ainda mais amplo do que o dos seus antecessores, mas de forma justa deve também ser notado que os padrões de corrupção que os seus antecessores enfrentaram não foram tão agudos e amplos como eles se tornaram nos últimos anos. 

Ao mesmo tempo, a ênfase crescente dos jornais do partido na proposição de que as forças armadas da China devem ser vistas como servos do Partido Comunista e não apenas da nação, parece sugerir preocupação de que os militares podem estar a desenvolver a sua própria visão sobre os assuntos internos da China, além de proclamar o aumento da assertividade da sua responsabilidade pela segurança nacional. 
A elite do partido, muito compreensivelmente, não a considera tranquilizadora.

Pode o regime do presidente da Rússia, Vladimir Putin, suportar um período prolongado de preços baixos de energia e sanções do Ocidente? 
Que riscos vê emergir de que a economia da Rússia deverá continuar a cair, com Putin a ser cada vez mais incapaz de recompensar a sua base política? 
Há, claro, o perigo de que em algum ponto Putin possa escolher lançar-se e criar uma crise internacional verdadeiramente grande e talvez precipitar alguma nova forma de guerra directa Este-Oeste. 
Mas para o dizer, é preciso assumir que, em certa medida, ele próprio é desequilibrado e deslocou-se de uma espécie de guerra de guerrilha contra o Ocidente, sempre com alguma possibilidade de retiro, para o combate total. 
O resultado disso seria inerentemente imprevisível, mas provavelmente, em qualquer caso, destrutivo para o bem-estar da Rússia. 
Se a economia da Rússia continuar a cair, e se o Ocidente for bem-sucedido a dissuadir Putin de um maior isso da força, ainda é possível que alguma resolução aceitável (uma forma que recomendo publicamente ao falar sobre o modelo finlandês) pode ser artificial. Mas isso depende, por outro lado, da firmeza do Ocidente ao suportar os esforços da Ucrânia para se estabilizar a si própria.

Na sequência da retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão e Iraque, grande parte do mundo agora percebe que os Estados Unidos estão num período de retiro similar ao da era do pós-guerra do Vietname. 
Estão os Estados Unidos a abraçar uma forma de neo-isolamento? 
Ou vai a aparente viragem americana ser assim tão breve como foi depois do Vietname?
Não acredito que os Estados Unidos estejam num "período de retiro". 
O facto que interessa é que a redistribuição de poder mundial produziu uma situação em que os Estados Unidos não são mais hegemónicos. 
Os Estados Unidos têm de reconhecer o facto de que o mundo é agora muito mais complexo. 
O alastrar do conflito pelo Médio Oriente é actualmente precipitado pelo aumento do sectarismo religioso mais do que pelo intervencionismo americano. 
Nestas circunstâncias voláteis, deve ser dada maior atenção aos interesses nacionais de países como a Turquia, Irão, Arábia Saudita, Egipto e Israel. 
Da mesma forma, não deve ser permitido que os interesses de qualquer um deles se tornem do total interesse dos Estados Unidos.

O que pode surpreender o mundo em 2015?

Talvez o reaparecimento gradual na Rússia de uma classe média liberal mais assertiva politicamente. 
A classe média começou a ter um papel mais significativo na definição da política russa interna e internacional sob a liderança de Dmitri Medvedev. 
Com o regresso de Putin ao poder e ao seu recente aventureirismo, foi colocado de lado pelo deliberadamente despertado e intensamente estimulado chauvinismo nacional. 
Acenar uma bandeira chauvinista, no entanto, pode não ser a melhor solução para lidar com problemas internacionais, especialmente se o Ocidente for inteligente e unido. 
A classe média russa, muito naturalmente, deseja viver numa sociedade como a da Europa Ocidental. 
Uma Rússia que gradualmente começa a gravitar à volta do Ocidente vai também ser uma Rússia que deixe de perturbar o sistema internacional.

Zbigniew Brzezinksi, antigo conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, é professor de Política Externa Americana na Universidade Johns Hopkins.

Direitos de Autor: Project Syndicate, 2014.
www.project-syndicate.org
Tradução: Raquel Godinho

A Europa e a mania dos investimentos mal orientados


Daniel Gros 

Director do Centro de Estudos Políticos Europeus
05 Janeiro 2015, 10:09 por Daniel Gros
Hoje em dia, o mantra em Bruxelas e em toda a Europa é que o investimento é a chave para a recuperação económica. O eixo central da nova estratégia económica da Comissão Europeia está no plano, anunciado recentemente, de aumentar o investimento em 315 mil milhões de euros ao longo dos próximos três anos. Mas a proposta da Comissão está mal orientada, tanto no que diz respeito à ênfase no investimento, como à estrutura de financiamento proposta.

O plano da Comissão, uma iniciativa assinada pelo presidente Jean-Claude Juncker no início do seu mandato, não constitui nenhuma surpresa. 
Com a Zona Euro presa numa recessão aparentemente interminável, a ideia de que o investimento potenciador de crescimento é crucial para uma recuperação sustentável está profundamente enraizada no discurso público. 
O pressuposto subjacente é que mais investimento é sempre melhor, porque aumenta o stock de capital e, portanto, a produção.

Este não é necessariamente o caso da Europa nesta altura. 
As autoridades da União Europeia (e muitas outras) argumentam que a Europa - especialmente a Zona Euro - sofre de uma "lacuna de investimento". 
Supostamente, a prova irrefutável é o défice anual de 400 mil milhões de euros, relativo a 2007.

Mas a comparação é enganosa, porque 2007 foi o auge de uma bolha de crédito que levou a uma grande quantidade de investimentos desperdiçados. 
A Comissão reconhece isso na sua documentação de apoio para o plano Juncker, na qual argumenta que para determinar os níveis de investimento desejáveis hoje em dia, devem usar-se como referência os valores dos anos anteriores ao auge de crédito. 
De acordo com tais parâmetros, a lacuna de investimento corresponde apenas a metade do valor anteriormente mencionado.

Infelizmente, mesmo os anos anteriores ao auge não constituem um bom guia para a economia europeia actual, porque algo fundamental mudou mais rapidamente do que é reconhecido: a evolução demográfica da Europa.

Na Zona Euro, a população em idade de trabalhar tem vindo a crescer até 2005, mas vai diminuir a partir de 2015 em diante. 
Dado que a produtividade não melhorou, menos trabalhadores significam taxas de crescimento potencial significativamente mais baixas. 
E uma menor taxa de crescimento significa que é necessário menos investimento para manter a relação capital/ produção.

Se a Zona Euro mantém a sua taxa de investimento ao nível dos anos pré-boom, logo haverá muito mais capital em relação ao tamanho da economia. 
Podemos ser tentados a pensar: E daí? 
Mais capital é sempre bom.

No entanto, um stock de capital cada vez maior em relação à produção significa que os rendimentos do capital sejam cada vez menores e, portanto, que haja cada vez mais empréstimos em incumprimento no sector bancário ao longo do tempo. 
Dada a debilidade do sistema bancário europeu, acumular demasiado capital não é um luxo que a UE possa pagar.

Mesmo deixando de lado a questão de saber se mais é sempre melhor, o que pode fazer o plano Juncker para ter um impacto positivo a curto prazo sobre o investimento agregado?

As investigações académicas sobre os determinantes do investimento têm concluído, em geral que a variável chave é o crescimento (ou expectativas de crescimento), e que as taxas de juro desempenham, no máximo, um papel secundário. 
Uma implicação imediata disto é que é muito pouco provável que a política monetária tenha um forte impacto sobre o investimento.

Na verdade, o sinal do mercado é claro: No momento, não há falta de financiamento disponível na maioria da UE. 
Os países da periferia da Zona Euro, onde o crédito ainda pode ser escasso, representam menos de um quarto da economia da Europa. 
Assim, a falta de financiamento não é a razão para o investimento continuar fraco.

O plano Juncker tem como objectivo desbloquear, com 21 mil milhões de euros de financiamento da UE, projectos com 15 vezes esse valor (315 mil milhões). 
Isso soa muito forçado. 
O sistema bancário da Europa já conta com mais de um bilião de euros de capital. 
A adição de 21 mil milhões, sob a forma de garantias do orçamento da UE, não deverá ter um impacto significativo sobre a disposição dos bancos para financiar o investimento.

O plano Juncker direcciona-se, em especial, para projectos de infraestrutura, que são muitas vezes mais arriscados do que outros investimentos. 
Mas estes riscos são geralmente não financeiros; eles reflectem potenciais barreiras políticas e regulatórias ao nível nacional. 
Estes problemas não podem ser resolvidos com uma garantia do orçamento da UE (que, em qualquer caso, não pode ser superior a 1/15 do valor do projecto).

A razão pela qual ainda não existe uma boa interligação entre as redes de energia espanhola e francesa não é a falta de financiamento, mas a falta de vontade dos monopólios de ambos os lados da fronteira de abrir os seus mercados. 
Muitos projectos ferroviários e rodoviários também avançam lentamente, devido à oposição local e não à falta de financiamento. 
Estas são as verdadeiras barreiras ao investimento em infraestruturas na Europa. 
As grandes empresas europeias podem facilmente obter financiamento a taxas de juro próximas de zero.

Apelar a mais investimento é sempre superficialmente atraente. 
Mas há razões importantes para acreditar que a taxa de investimento da Zona Euro ficará permanentemente deprimida. 
O défice de investimento, muitas vezes invocado, é sobretudo o resultado de uma ilusão, e as barreiras ao investimento têm pouco a ver com a falta de financiamento.

O desempenho económico dos Estados Unidos e do Reino Unido constitui uma lição importante para a Zona Euro. 
A recuperação de ambas as economias tem sido impulsionada em grande parte por uma subida do consumo, especialmente nos Estados Unidos. 
O relançamento do investimento seguiu o crescimento do consumo. 
Se os responsáveis políticos europeus estão mesmo empenhados na recuperação económica, deviam centrar-se no consumo, e não no investimento.

Daniel Gros é director do Centro de Estudos Políticos Europeus

Direitos de Autor: Project Syndicate, 2014.
www.project-syndicate.org
Tradução: Rita Faria

A renovada promessa da Abenomics

KOICHI HAMADA

Conselheiro Económico Especial do 
Primeiro-Ministro japonês Shinzo Abe,
Professor Emérito de Economia na Universidade de Yale e na 
Universidade de Tóquio.
05 Janeiro 2015, 12:00 por Koichi Hamada
O Partido Liberal Democrata japonês alcançou uma vitória decisiva nas eleições parlamentares de 14 de Dezembro, com os eleitores japoneses a demonstrarem o seu estrondoso apoio à agenda de medidas macroeconómicas do primeiro-ministro Shinzo Abe. Embora o número de votantes tenha sido relativamente baixo, em grande parte devido à natureza algo técnica dos assuntos, a mensagem das eleições foi clara: a maioria dos japoneses detesta a perspectiva de um regresso à trajetória económica sombria que prevaleceu no Japão antes da "Abenomics".

Quando a primeira "flecha" da Abenomics – um programa de estímulos orçamentais – foi lançada há quase dois anos, os mercados bolsistas imediatamente reagiram de forma positiva. 
A segunda flecha da Abenomics – política monetária acomodatícia – intensificou estes efeitos.

Nos últimos dois anos, o mercado accionista japonês quase duplicou o seu valor, aumentando a riqueza dos consumidores japoneses. 
Mais ainda, o iene desvalorizou em cerca de um terço contra o dólar norte-americano, de acerca de 80 ienes para quase 120 ienes por dólar, revigorando as indústrias exportadores japonesas.

Ainda mais encorajadores são os desenvolvimentos no mercado laboral que, ao contrário dos registados nos mercados bolsistas, reflectem resultados e não expectativas. 
Também neste caso as expectativas são boas. 
O mercado laboral tem fortalecido, com o desemprego a manter-se nos 3,5% e com o rácio trabalho por candidato acima da média.

É certo que tem havido alguns contratempos: o PIB do Japão encolheu no segundo e terceiro trimestres de 2014. 
Mas a culpa da recessão, que resultou do aumento do imposto sobre o consumo em Abril – de 5% para 8% - não pode recair sobre a Abenomics. 
De facto, Abe honrou uma lei promulgada pelo anterior Governo, liderado pelo Partido Democrata do Japão.

As duas primeiras flechas da Abenomics destinavam-se a estimular a procura – e foram extremamente eficazes. 
O aumento do imposto sobre o consumo foi necessário para mantê-las em voo. Infelizmente, o aumento foi demasiado grande para mantê-las no ar.

As boas notícias são que o impacto do aumento do imposto é temporário. 
Em breve, começará a desaparecer e a produção industrial irá atingir a capacidade total. Quando a procura começa a exceder a oferta, as políticas de estímulo à procura tornar-se-ão ineficazes e será, então, altura de lançar a terceira flecha da Abenomics: reformas estruturais para um reforço do crescimento.

Tais reformas são essenciais para aumentar o crescimento da produtividade e melhorar a competitividade da economia japonesa. 
Quatro imperativos mantêm-se.

A primeira tarefa deverá ser eliminar – ou pelo menos reduzir – o emaranhado de regulamentações que está a sufocar o dinamismo económico. 
O actual sistema é tão torcido e complexo que demorou mais de três décadas a abrir uma nova escola de medicina em Tóquio. 
Do mesmo modo, os voos para o aeroporto de Haneda, uma ligação conveniente para a área da cidade de Tóquio, foram reduzidos. 
Esta não é uma fórmula para o sucesso económico no longo prazo.

Além disso, o Governo japonês deve forçar a conclusão das negociações para a Parceria Trans-Pacífico (TPP, na sigla anglo-saxónica), que actualmente está a ser discutida entre 12 países, desde o México aos EUA, passando pelo Vietname. 
A TPP melhoraria consideravelmente as perspectivas de comércio japonesas, incluindo os sectores sensíveis como a agricultura, no qual as exportações de bens de consumo de curta durabilidade, como flores e legumes, iriam beneficiar.

Os líderes japoneses devem também trabalhar de modo a expandir a força de trabalho, que enfrenta restrições severas, em grande parte devido ao rápido envelhecimento da população. 
Na ausência de imigração em grande escala, para a qual os japoneses continuam reticentes, uma solução relativamente simples seria a interação de mais mulheres na força de trabalho. 
Um aumento de 10% na taxa de participação laboral das mulheres – um objectivo inteiramente alcançável - iria traduzir-se num ganho de quase 5% na participação total da força de trabalho.

Finalmente, o Governo de Abe deve reduzir o imposto sobre as empresas, de modo a alinhá-lo mais proximamente com os padrões internacionais. 
Entre a cada vez mais intensa competição internacional para atrair investimento estrangeiro, a redução do imposto sobre as empresas iria, na realidade, aumentar as receitas fiscais do Japão, ao incentivar as empresas a investirem as suas vastas reservas de liquidez em actividades mais produtivas.

Agora que o Governo de Abe tem um renovado mandato concedido pelos eleitores japoneses, deverá responder às suas promessas – e isso significa uma implementação decisiva e abrangente de reformas estruturais. 
Naturalmente, requererá alguns sacrifícios. 
De facto, as famílias já passaram por algumas dificuldades, a reboque do aumento do imposto sobre o consumo.

O próximo passo será o Governo de Abe usar o seu capital político para superar os interesses instalados, tanto na burocracia como na comunidade empresarial. 
Isto significa convencer as empresas a abdicarem de alguns benefícios fiscais especiais de que agora disfrutam. 
Por seu lado, os políticos devem participar no sistema de identificação de contribuintes. 
E os burocratas devem sacrificar parte do poder que a excessiva regulação lhes concede.

Se todos estes grupos se unirem ao público japonês aceitando sacrifícios razoáveis, o Governo de Abe poderá cumprir a sua promessa e construir uma economia próspera. 
Para o bem de todos os japoneses – já para não mencionar a economia mundial que anseia por uma nova fonte de dinamismo – essa promessa merece ser endereçada.

Koichi Hamada, Conselheiro Económico Especial do Primeiro-Ministro japonês Shinzo Abe, é Professor Emérito de Economia na Universidade de Yale e na Universidade de Tóquio.

Direitos de Autor: Project Syndicate, 2014.
www.project-syndicate.org
Tradução: André Tanque Jesus

Suécia em crise


CARL BILDT

Primeiro-Ministro e 
Minidtro dos Negócios Estrangeiros da Suécia
05 de Janeiro de 2015, 19:00 por Carl Bildt
Depois de décadas de observância de normas e de modelos mais ou menos estáveis e previsíveis, a política na Suécia entrou em terreno desconhecido nas semanas mais recentes. Muitos estão chocados com o facto de o governo ter caído e ter tido de convocar novas eleições apenas dois meses depois de ter entrado em funções. Afinal de contas, a Suécia tem sido uma referência rara de sucesso na Europa desde a crise financeira global de 2008. Então o que é que aconteceu?

A causa imediata da desintegração do governo foi o voto do Parlamento contra a proposta de Orçamento da coligação de centro-esquerda, e a favor da proposta de Orçamento apresentada pelos partidos da Aliança de centro-direita, que formaram o anterior governo. Ao não conseguir fazer aprovar o seu primeiro Orçamento – devido à abrupta decisão dos Democratas Suecos (SD) da extrema-direita de apoiarem a Aliança alternativa – o governo não poderia, muito simplesmente, continuar como se nada tivesse acontecido.

O pano de fundo deste episódio remonta às eleições de Setembro, em que a Aliança composta por quatro partidos foi vencida após oito anos no poder (durante os quais fui ministro dos Negócios Estrangeiros). 
O governo da Aliança foi amplamente considerado bem sucedido, mas oito anos é muito tempo em política.

É justo. 
No entanto, apesar da derrota inquestionável da Aliança, o Partido Social Democrata Sueco – o principal da oposição – e os seus aliados da esquerda não saíram vitoriosos. 
Com efeito, os três partidos da esquerda no Parlamento obtiveram uma percentagem do voto popular apenas ligeiramente superior à alcançada nas eleições de 2010. 
O grande vencedor foi o populista SD, que viu a sua percentagem de votos duplicar para mais de 13%. 
E como nenhum outro partido estava preparado para cooperar com o SD, a única alternativa viável foi um governo minoritário.

É evidente que a coligação Social Democrata-Verdes, com o apoio de apenas 38% dos deputados, estava destinada a exercer um poder incerto. 
Mas poderia ter funcionado se o governo não tivesse virado rapidamente à esquerda, delineando um Orçamento e outro acordo com o ex-comunista Partido de Esquerda. 
Essa estratégia traçou o destino do governo, se bem que o fim tenha chegado mais cedo e mais drasticamente do que o esperado.

Mas a actual desordem política da Suécia tem também raízes nalgumas mudanças a mais longo prazo, que em certa medida reflectem tendências europeias mais amplas. 
Uma é o declínio estrutural dos outrora dominantes social-democratas. 
Durante décadas, qualquer eleição em que o partido obtivesse menos de 45% dos votos era encarada como um desastre. 
Actualmente, o apoio popular aos social-democratas ronda os 30% e nas duas últimas eleições os resultados do partido foram os piores dos últimos 100 anos.

A outra tendência é a ascensão do populista SD. 
Até 2010, a Suécia parecia imune à ascensão dos partidos de extrema direita, como aconteceu na Dinamarca, Noruega e Finlândia. 
No entanto, desde então o SD tem mudado fundamentalmente a paisagem política do país.

O sentimento anti-imigrantes explica em parte essa situação, apesar de a opinião pública sueca se ter tornado mais favorável à imigração desde inícios da década de 1990. 
Para alguns, a imigração tornou-se um símbolo de uma sociedade à deriva. 
Para outros, o número de imigrantes nos últimos anos tem sido simplesmente demasiado elevado.

Com efeito, os números são efectivamente elevados – não em comparação com um país como a Turquia, mas certamente em relação a outros países europeus. 
A Suécia e a Alemanha recebem, de longe, os maiores fluxos de imigrantes – e a Alemanha tem quase 10 vezes o tamanho da Suécia.

A nossa tradição de abertura aos refugiados não é de agora. 
Vieram muitas pessoas dos países bálticos na década de 1940, da Hungria em 1956, do Chile após o golpe militar de 1973 e do Irão após a revolução de 1979. 
Durante décadas, a indústria sueca dependeu dos trabalhadores imigrados.

Durante a Guerra da Bósnia nos anos de 1990, a Suécia abriu as suas portas a cerca de 100.000 pessoas – um desafio em qualquer altura, mas ainda mais durante um período de profunda crise económica. 
Mas correu bem: os imigrantes bósnios deram-se praticamente tão bem quanto os suecos que os receberam e enriqueceram a nossa sociedade.

Neste novo século, têm chegado cada vez mais refugiados do Médio Oriente e do Corno de África. 
Actualmente, 1% da população sueca provém do Irão e quase 2% do Iraque. 
De facto, após a guerra no Iraque, a pequena cidade sueca de Södertälje acolheu mais refugiados iraquianos do que os Estados Unidos.

Tendo em conta estes números, a imigração na Suécia correu melhor do que o esperado. Mas há problemas. 
O rigor dos sistemas e a persistência das estruturas do mercado laboral sueco entravam a integração em comparação com muitos outros países. 
E agora o número de imigrantes está de novo a aumentar, reflectindo os tumultos crónicos no Médio Oriente e noutras regiões do globo, bem como a vizinhança cada vez mais turbulenta e ameaçadora da Europa – em grande medida devido ao revisionismo e à filosofia de expansão militar da Rússia.

A Suécia, que é já uma super-potência em termos da ajuda que dá às regiões em conflito, certamente não irá fechar as suas portas. 
Mas outros países europeus terão de aceitar uma parte maior deste encargo e as autoridades terão de fazer mais para facilitar a integração.

Muito em particular, há que manter o ritmo da criação de empregos alcançado nos últimos anos. 
Apesar de todo o seu sucesso económico nas últimas duas décadas, não apenas desde a crise de 2008, a indústria está a perder força e começam a fazer-se sentir problemas de ordem estrutural. 
O nosso aclamado Estado-Providência terá um grave problema com o envelhecimento da população. 
A este respeito, a imigração é mais uma parte da solução do que parte do problema.

Não há garantia de que as eleições de Março vão solucionar a crise política da Suécia, especialmente se o SD tiver de novo bons resultados. 
Uma grande coligação ao estilo da Alemanha é algo que nunca foi testado na Suécia; e a experiência da Áustria sugere que poderiam ser os extremistas a sair beneficiados. 
Mas poderá ser necessária uma atmosfera de maior cooperação – e, nesse caso, a questão decisiva será se os social-democratas serão capazes de se distanciar dos seus aliados mais à esquerda.

Carl Bildt foi primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia

Direitos de autor: Project Syndicate, 2014.
www.project-syndicate.org
Tradução: Carla Pedro

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Há outro "contabilista" na história de Salgado, mas deste ninguém falou - até agora


Salgado. Comissão de Inquérito regressa Amanhã
Pedro Santos Guerreiro |
20:15 Segunda feira, 5 de janeiro de 2015
Comissão de Inquérito ao caso BES recomeça esta terça-feira com audição a José Macedo Pereira. Quem? O "contabilista" que fez as retificações à declaração de rendimentos de Ricardo Salgado. E que levou um puxão de orelhas por isso.

Francisco Machado da Cruz, o "commissaire aux comptes" do Grupo Espírito Santo, deverá fazer a próxima grande audição na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Espírito Santo. 

O contabilista que Ricardo Salgado responsabilizou pelo "buraco" de quase €2,5 mil milhões nas contas da Espírito Santo International é ouvido quinta-feira. 
Mas antes, esta terça, a comissão reabre os trabalhos com José Macedo Pereira, que é apresentado como Revisor Oficial de Contas e auditor do GES. 
Só que Macedo Pereira tem outra característica: ajudou Ricardo Salgado a retificar a sua declaração de rendimentos, de modo a incluir os €14,5 milhões que o então presidente do BES recebeu de José Guilherme. 

Não foi uma alteração, foram três. 
A declaração de rendimentos de 2011 de Ricardo Salgado foi regularizada três vezes durante 2012, como então os jornais "Sol" e "i" noticiaram. 
Em causa estavam €8,5 milhões de rendimento adicional, que deram lugar ao pagamento de €4,3 milhões de IRS. 
Além destes €8,5 milhões, houve mais €5,5 milhões que Salgado regularizou através do RERT, programa de amnistia fiscal para regularização de capitais no estrangeiro. 
No total, as somas totalizavam €14 milhões, que mais tarde se soube terem sido pagos pelo construtor José Guilherme a Ricardo Salgado.

Não houve apenas uma mas três alterações à declaração de rendimentos, numa altura em que a procuradoria investigava se Ricardo Salgado estava ou não ligado ao caso Monte Branco. 
Além da declaração dos valores de rendimentos, houve problemas na identificação contabilística do dinheiro. 
Era uma comissão? 
Honorários? 
Uma liberalidade (prenda)? 
O dinheiro foi tendo estas identificações, que não eram indiferentes do ponto de vista fiscal. As várias alterações à declaração de rendimentos foram mudando a identificação. 
E José Macedo Pereira, que ajudou Ricardo Salgado neste processo, terá sido depois criticado pelo próprio pelos erros cometidos, segundo fontes do BES na altura. 

Como Salgado justificou as alterações fiscais

Na época, Ricardo Salgado justificou as alterações com o RERT e com questões eletrónicas. 

Em declarações ao Negócios em janeiro de 2013, o então presidente do BES confirmava ser "verdade que apresentei três declarações corretivas ao apuramento da matéria coletável para efeitos do IRS de 2011". 
A primeira correção, explicava, "é consequência da adesão ao próprio RERT III", que teve como referência "os patrimónios existentes fora de Portugal à data de 31 de Dezembro de 2010", quando a data-limite para adesão ao RERT III havia sido prorrogada até Julho de 2012, donde "a declaração de IRS de 2011 foi devida antes de finalizado o período legal de adesão ao RERT III", justificou.

A segunda regularização foi justificada "com acréscimos patrimoniais apenas apurados posteriormente, referentes ao ano fiscal de 2011." 
A terceira regularização citava problemas informáticos: "o preenchimento das declarações fiscais por processo eletrónico é padronizado e algo limitativo quanto às opções e alternativas de preenchimento. 

Tratando-se de rendimentos obtidos no estrangeiro, resultantes da concretização de investimentos e atividades pessoais, o enquadramento nas categorias de rendimentos sujeitos a imposto, disponíveis da versão eletrónica, não foi automático." 
Por causa disso, dizia Ricardo Salgado, os rendimentos estavam a pagar um imposto inferior ao suposto, o que foi então retificado.

Início da Rússia Europeia


Vladislav Inozemtsev

Vladislav Inozemtsev é Professor de Economia na Escola Superior de Moscou de Economia e diretor do Centro de Estudos pós-industrial.


05 de janeiro de 2015
MOSCOU - A primavera passada, depois que a Rússia anexou Crimea e começou a intervir no leste da Ucrânia, os Estados Unidos e a União Europeia estabeleceram sanções contra indivíduos e empresas russas. Mas, se as sanções são para ser uma ferramenta eficaz na luta contra as ambições de Vladimir Putin - um tema de debate em curso no Ocidente - eles devem combinar com uma mão firme para com presidente da Rússia, com um diálogo aberto em direção ao seu povo.

Para entender o papel que as sanções podem desempenhar na gestão do Kremlin, basta considerar a importância do dinheiro para seu ocupante. 
Desde o início do século até muito recentemente, a Rússia foi inundada de petrodólares; tão do fluxo monetário, maior foi a audácia e a agressão de Putin.

Em 1999, as receitas de petróleo e gás contribuiram com 40.500 milhões dólares para o PIB da Rússia. 
Como os preços subiram e produção aumentou, esta contribuição aumentou substancialmente, em média de 73,5 bilhões dólar anualmente de 2001 a 2004. riqueza crescente da Rússia encorajando Putin,  a uma mudança exemplificada na sua decisão de prender e encarcerar Mikhail Khodorkovsky, o dono da gigante do petróleo Yukos, em 2003.

E a tendência continuou. 
A partir de 2005-2008, as receitas anuais de hidrocarbonetos foram 223.600 milhões dólar maior do que em 1999; no final deste período, a Rússia invadiu Geórgia. 
Em 2011-2013, a renda anual de petróleo e gás da Rússia atingiu um pico de 394.000 milhões dólares americanos acima dos níveis de 1999, preparando o palco para as intervenções do Kremlin na Ucrânia. 
Em todos esses casos, Putin agiu na convicção de que a riqueza petrolífera da Rússia significava que as regras - até mesmo as leis internacionais - não se aplicavam a ele.

Mas, com a introdução de sanções, os mercados financeiros foram fechados, na sua maior parte, para as empresas russas. 
Os preços do petróleo estão em queda livre; o Ministro das Finanças da Rússia estima que as perdas do país desde a última primavera ultrapassaram 140.000 milhões dólares. Reservas estratégicas em moeda da Rússia estão sendo puxadas por amigos de Putin, podendo ser esgotadas até o final do ano. 
Além disso, o rublo perdeu perto de 50% do seu valor ao longo dos últimos seis meses.

Mas, embora as sanções claramente estão começando a morder, que vai levar algum tempo antes de a maior parte do público russo sinta realmente o seu impacto. 
Assim, o Ocidente precisa esperar.

Há pouco ponto pelo engajamento em uma busca por soluções diplomáticas. 
Elas simplesmente não existem. 
Putin escolheu agir sem consideração para a integridade territorial. 
Ele declarou-se um defensor não só dos cidadãos russos, mas de todos os russos, Russophones, e até mesmo cristãos ortodoxos. 
Ele acredita que possui o direito de intervir nos assuntos dos seus vizinhos, porque, como ele mesmo disse, "a União Soviética era a mesma Rússia apenas chamado por outro nome." 
Em outras palavras, a Ucrânia é apenas uma região separatista da histórica Rússia.

O povo russo, no entanto, são modernos bastante para questionar essas políticas. 
O "Consenso de Putin" foi construído sobre a promessa de prosperidade crescente - uma promessa que está se evaporando rapidamente sob o calor das sanções. 
A maioria das elites russas pensam e agem como empresários e não como nacionalistas românticos: Como a economia afunda na recessão prolongada, a análise e crítica das políticas de Putin vai aumentar.

O objetivo das sanções ocidentais deveria ser o de desanexar os governantes pré-modernas da Rússia a partir da sua população moderna. 
Esta estratégia pode ser de pouca utilidade nas sociedades rigidamente controladas, como o Irão ou a Coreia do Norte; mas a Rússia é essencialmente europeia.
Em vez de perder tempo tentando negociar, o Ocidente deve se concentrar na elaboração e divulgação de uma agenda pós-Putin.

Para começar, o Ocidente deveria negar explicitamente qualquer reivindicação russa para o direito de interferir nos assuntos da UE e da NATO. 
A Ukrania deve ser abraçada - mesmo se a Crimeia e Donbass estiverem perdidas.
Um novo "Plano Marshall" deve ser lançado, podendo transformar a Ucrânia num país próspero livre que pode aderir à UE e à NATO, se assim o desejarem.

Ainda mais importante, o Ocidente deveria deixar claro que a Russia deve ser reconhecida como parte integrante e natural da Europa - um país que pode, eventualmente, fazer parte da grande estratégia EU.
A grnde estratégia para as próximas décadas deve ser centrada numa idéia simples: embora a Rússia nunca pode ser permitido para influenciar a Europa a partir do exterior, será bem-vindo a ganhar um lugar de influência a partir de dentro, se ela aceitar as regras e normas europeias.

Os russos deve ser levados a entender que eles podem escolher um dos dois caminhos. Eles podem seguir Putin num isolamento, provavelmente terminando sob influência chinesa (na verdade, do ponto de vista da China, o seu pedido para a Sibéria por todo o caminho até o Lago Baikal é ainda mais forte do que a alegação da Rússia para a Crimeia). 
Ou eles podem decidir se mudar para a Europa, talvez num futuro distante a adesão à UE aeja muito maior - e talvez o mais influente - membro.

O maior erro do Ocidente em relação à Rússia e à Ucrânia foi escolher o caminho da indiferença após o fim da Guerra Fria. 
Isso levou à criação da Comunidade de Estados Independentes em 1991 e no Memorando de Budapeste sobre Segurança Assurances em 1994. 
Se, em vez disso, a Rússia e a Ucrânia houvessem sido incentivados a trabalhar na direção a adesão à Comunidade Económica Europeia e foram convidados a aderir à OTAN, o arco da história teria sido dobrada num sentido muito mais pacífico.

A História raramente oferece uma segunda chance. 
Mas desta vez ela tem. 
Os erros dos anos 1990 devem ser corrigidos, e o ponto de partida deveria ser o de oferecer a quem quiser participar do Ocidente a oportunidade de trabalhar para fazê-lo. 
Se a Ucrânia é trazida para o quadro europeu, o povo russo vai querer seguir - muito mais cedo do que qualquer um possa imaginar agora.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Prejuízos causados por sanções não se limitam à Rússia

31 de Dezembro de 2014 - 17:56
A principal particularidade das sanções econômicas introduzidas pelo Ocidente contra a Rússia consiste em que o prejuízo provocado à economia russa não se limita ao próprio país, escreve o portal Sputnik.

“Em breve o golpe contra a Rússia irá se refletir com ondas de choque sobre as economias da Ucrânia e Bielorrússia e irá se repercutir também sobre a economia da União Europeia. Uma UE economicamente debilitada irá, por sua vez, atingir os Estados Unidos”, refere a publicação.

O diretor-executivo da Câmara de Comércio Russo-Britânica Trevor Burton enumerou as partes que iriam ganhar e perder com a introdução de sanções recíprocas entre os EUA, a UE e a Rússia.

Entre as partes perdedoras estarão os bancos europeus que não poderão receber seus lucros de créditos concedidos à Rússia, porque as sanções bloquearam o acesso dos bancos russos aos mercados de capitais do Ocidente.

Entre os ganhadores Burton considera estarem as companhias que não se intimidaram com a situação de indefinição e que continuam olhando a Rússia como um mercado atrativo.