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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

PT não queria ver nomes na auditoria da PwC

Já foi entregue à CMVM a auditoria da PwC às relações entre a PT e o GES.
8/1/2015, 7:29
EDGAR CAETANO
A PT SGPS pediu à consultora PwC que ocultasse, na versão final da auditoria as relações com o GES, os nomes dos antigos e actuais administradores com responsabilidade nos empréstimos.

A PT SGPS quis que a PriceWatherhouseCoopers (PwC) omitisse os nomes dos titulares de cargos de gestão que terão estado ligados às operações ruinosas de financiamento à RioForte, uma empresa do Grupo Espirito Santo (GES).
Este pedido, segundo o Público, foi feito por escrito e deu-se depois de o conselho de administração da PT SGPS ter discutido, a 13 de novembro, uma primeira versão do relatório que incluia a identificação de todos os administradores com responsabilidades.

Foi, em parte, devido a este pedido, que segundo o Público a consultora acatou, que se foi atrasando na entrega da versão definitiva do documento. 
Além do facto de alguns administradores terem pedido para alterar os respetivos depoimentos. 
A versão final já não inclui os nomes de quem teve e quem não teve responsabilidade direta nas operações de financiamento pela PT à Rioforte, designadamente o empréstimo de 897 milhões de euros realizado no início de 2014 através da subscrição de papel comercial. 
Papel comercial que viria a não ser reembolsado, marcando o início da derrocada das ações da PT SGPS em bolsa, e que levaria à revisão das condições da fusão com a brasileira Oi.

A poucos dias da assembleia-geral de dia 12, que não deverá ser adiada, o Público acrescenta esta quinta-feira que alguns acionistas vão tentar provar, através da auditoria, que a brasileira Oi sabia destes investimentos e que, portanto, não se justifica que tenha havido uma revisão das condições da fusão em que a PT SGPS passou a ter uma posição menor na empresa resultante da fusão, com opção para comprar a diferença.

Na terça-feira a TVI noticiou que a auditoria aponta para conclusões explosivas:a PT teve de se endividar para fazer aquele investimento na RioForte, ajudando assim o GES a garantir liquidez nos meses finais, antes da queda do grupo. 
Esse foi o dia em que a Procuradoria-Geral da República informou que as buscas realizadas na PT SGPS se inseriram numa investigação sobre suspeitas de participação económica em negócio e burla qualificada, investigando-se aplicações financeiras realizadas pela empresa.

Ações da PT suspensas à espera de “informação relevante”

FUTURO DA PT
9/1/2015, 8:16
EDGAR CAETANO
O regulador do Mercado de Capitais português, a CMVM, suspendeu a Negociação das Ações da PT SGPS em bolsa, à espera de "Informação Relevante Sobre o emitente".

As acções da PT SGPS estão suspensas na bolsa de Lisboa.
A CMVM anunciou esta sexta-feira a suspensão da negociação das acções, uma suspensão que será levantada assim que for divulgada "informação relevante" sobre o emitente.

"O Conselho Directivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliátios (CMVM) deliberou, nos termos do artigo 214.º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213.º do Código dos Valores Mobiliários, a suspensão da negociação das acções da Portugal Telecom, SGPS, S.A., até à divulgação de informação relevante sobre o emitente", nota a CMVM em comunicado.

A PT SGPS, que tem assembleia-geral marcada para a próxima segunda-feira, tem visto as acções caírem para mínimos históricos na bolsa de Lisboa.

PT recupera de mínimos históricos após intervenção da CMVM

FUTURO DA PT
8/1/2015, 8:46
EDGAR CAETANO
A PT SGPS abriu em alta na bolsa de Lisboa depois de a CMVM ter proibido as vendas a descoberto nas ações. Títulos sobem 5,5% depois de na véspera terem afundado 19,5%, para mínimos históricos.

As ações da PT SGPS abriram em alta nesta quinta-feira depois de terem tido na quarta-feira a pior sessão da sua história em bolsa. Pelas 8h30, os títulos subiam 5,5%, depois de terem estado a recuperar quase 9%, a beneficiar do facto de a CMVM ter proibido temporariamente a prática de vendas a descoberto nestas ações, uma prática que procura lucrar quando os títulos descem em bolsa. A suportar a ação estará também a informação de que a assembleia-geral deverá, mesmo, realizar-se na próxima segunda-feira, dia 12, e aí será discutida a venda da PT Portugal à Altice.

A valorização das ações da PT SGPS está a contribuir para a sessão positiva no PSI-20, que subia ao início da manhã 1,5% mantendo-se, contudo, próximo dos níveis mais baixos desde o verão de 2012. A PT SGPS é uma empresa cotada que como ativos tem a posição na Oi (e, portanto, uma parte das operações da PT Portugal), a opção de compra de mais ações na fusão e a dívida da Rioforte. A cotação atual avalia a empresa em 689 milhões de euros.

      Ações recuperam parte das fortes perdas recentes
As ações da PT SGPS estão esta quinta.feira a recuperar parte das perdas registadas nas últimas semanas. Fonte: Bloomberg

Numa altura em que se aguarda a publicação da auditoria da PwC às relações entre a Portugal Telecom e as empresas do Grupo Espírito Santo, um documento cuja versão final, segundo o Público, não terá nomes, está também nas notícias que António Menezes Cordeiro, presidente da mesa da assembleia-geral, acredita que a fusão entre a PT e a brasileira Oi ainda pode ser anulada devido ao incumprimento do contrato por parte dos barsileiros.
A notícia é do Diário Económico.
O jurista baseia-se na ideiade que a PT passou de multinacional a mecanismos de financiamento da Oi e que os accionistas se podem sentir lesados nos seus interesses, pedindo a resolução unilateral do contrato.

Auditoria ao investimento da PT na Rioforte. Salgado foi o único que não respondeu

Ricardo Salgado diz que a única coisa que não previu foi o efeito da queda do grupo na PT
FUTURO DA PT
17:09, de 9 de Janeiro de 2015
ANA SUSPIRO
PwC ouviu Granadeiro, Bava, Mora, Morais Pires e Joaquim Goes, entre outros. Só não conseguiu entrevistar Salgado. Ex-líder do BES omitiu informação sobre Rioforte quando pediu a PT para investir.

A PricewaterhouseCoopers (PwC) entrevistou vários ex-gestores da Portugal Telecom e do Banco Espírito Santo (BES) para apurar todas as circunstâncias que rodearam os investimentos realizados em empresas detidas pelo Grupo Espírito Santo (GES), que através do BES era o maior acionista da operadora.

Entre as 15 pessoas ouvidas estão Henrique Granadeiro e Luiz Pacheco de Melo, os dois responsáveis da PT que se demitiram na sequência do investimento de 897 milhões de euros na Rioforte, mas também Zeinal Bava, João Mello Franco (atual presidente da PT SGPS e antigo membro da comissão de auditoria), Rafael Mora, administrador da PT e da Ongoing, Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes, dois ex-administradores do BES que estavam representados no conselho de administração da operadora de telecomunicações. Só não conseguiu chegar à fala com o homem que terá dado indicação expressa à PT para investir na Rioforte, apesar de não exercer qualquer cargo na empresa.

“Não foi possível, apesar dos contactos estabelecidos, entrevistar o Dr. Ricardo Salgado”, revelam as conclusões da auditoria divulgadas pela empresa na quinta-feira à noite. O documento sugere que o ex-presidente do BES omitiu informação sobre a situação financeira da Rioforte na reunião em que apresentou a nova holding do GES ao administrador financeiro da PT no início de 2014.

Neste encontro com Luíz Pacheco de Melo, o então presidente do BES detalhou o plano de reestruturação do Grupo Espírito Santo, indicando que os investimentos realizados até então na Espírito Santo International, e que à data ascendiam a 750 milhões de euros, deveriam ser desviados para a Rioforte. A apresentação era omissa sobre a situação financeira da Rioforte, que se degradou substancialmente depois das operações concluídas uma semana antes por via da compra da participação da ESI na Espírito Santo Financial Group (ESFG). De acordo com a PwC, o preço desta transação foi fixado muito acima do valor de mercado, representando 4,34 vezes a capitalização bolsista da ESFG, tendo a Rioforte passado de credora da ESI para devedora de 1,4 mil milhões de euros.

O nome de Ricardo Salgado é ainda invocado numa reunião realizada no BES a 26 de março entre o chief finance officer da PT, o diretor financeiro Carlos Cruz, e Amílcar Morais Pires, administrador financeiro do BES que serviu para analisar a continuação do investimento da PT na Rioforte. Neste encontro, Morais Pires diz que o presidente do BES lhe terá transmitido que a renovação da aplicação já teria sido combinada com Granadeiro e Zeinal Bava, envolvendo aqui o então presidente da Oi. Pacheco de Mello invoca orientações de Henrique Granadeiro, à data presidente executivo da PT.

Na audição na comissão parlamentar de inquérito, Ricardo Salgado lamentou o que aconteceu à PT, acrescentando que foi a única consequência que não previu quando alertou o Banco de Portugal para os efeitos sistémicos da queda do grupo e do banco. “Foi uma tristeza o que aconteceu na PT. Foi o único elemento que não previ”, afirmou o antigo presidente do BES.

O investimento na Rioforte de 897 milhões de euros foi renovado a 15 e 17 de Abril por três meses, quando já tinha sido aprovado o relatório e contas de 2013 da holding não financeira em que o auditor alertava para o excesso de passivos sobre os ativos correntes na sequência da compra da ESFG, que foi financiada com dívida de curto prazo (foi uma parte desta dívida que a PT refinanciou), avisando, ainda, para a incerteza quanto ao processo em curso de extensão da maturidade dos empréstimos.

Segundo testemunhou na comissão de inquérito ao BES o ex-presidente executivo da Rioforte, este relatório estava disponível quando a PT renovou a aplicação. João Pena Rodrigues garante que a operadora nunca contactou a administração da empresa onde investiu 897 milhões de euros.

Mais do que renovar a operação, o que a auditoria revela é que a PT teve de ir ao mercado levantar dinheiro, aumentando a dívida, para poder cumprir os seus compromissos no aumento de capital da Oi, devido à aplicação feita na Rioforte. Não foi, aliás, a primeira vez. Já em maio de 2013, a empresa, então liderada por Zeinal Bava (que só assumiu a presidência da Oi no mês seguinte), emitiu obrigações no valor de mil milhões de euros, dos quais metade foi usada para subscrever títulos da Espírito Santo International (ESI).

Decisões informais sem evidência de quem as tomou

A PwC assinala as várias restrições e limitações a que foi sujeito o seu trabalho, designadamente ao nível do acesso a documentos e análises que poderão estar na posse de pessoas que já não estão na empresa. Refere informações contraditórias prestadas pelos entrevistados e decisões tomadas de forma informal e sem ser deixada evidência sobre quem tomou determinada decisão ou sobre quem aprovou determinada transação.

Levanta ainda a questão: em que medida é que os dois administradores da PT que também eram do BES, Joaquim Goes e Amílcar Morais Pires, deveriam ter alertado para o risco de solvabilidade da ESI e Rioforte, mas conclui que não foi possível apurar que tivessem conhecimento das dificuldades financeiras dessas entidades.

O que disseram os ex-gestores do BES na comissão de inquérito sobre o investimento da PT na Rioforte

Ricardo Salgado “Foi uma tristeza o que aconteceu na PT. Foi o único elemento que não previ. O BES sempre esteve ao lado da PT para financiar todas as empresas que a PT comprou.”

Amílcar Morais Pires “Nunca tomei uma iniciativa para sugerir investimentos na Rioforte ou na ESI. Do lado do banco, só podia ter sido Ricardo Salgado a dar indicação para a PT realizar o investimento.”

Joaquim Goes “Nunca tive conhecimento direto do investimento da PT no Grupo Espírito Santo. Nunca tive intervenção e o caso nunca foi discutido no conselho de administração.”

Assembleia-geral da PT deve ser adiada, defende a CMVM

01/09/2015, 8:47
EDGAR CAETANO

Carlos Tavares escreveu a 30 de dezembro ao presidente da mesa da assembleia-geral da PT SGPS, por faltar "até ao momento, informação essencial" sobre a venda da PT Portugal.


Carlos Tavares defendeu, a dois dias do final do ano, que a assembleia-geral da PT deveria ser adiada. 
Segundo o Jornal de Negócios, o presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) escreveu ao presidente da mesa da assembleia-geral da PT SGPS a recomendar a António Menezes Cordeiro o adiamento da assembleia-geral da PT SGPS. Isto porque não estavam reunidas as condições para que os acionistas tivessem informação fundamental a tempo útil para que pudessem votar a venda da PT Portugal.

O Jornal de Negócios teve acesso à carta de quatro páginas enviada por Carlos Tavares a António Menezes Cordeiro, data de 30 de dezembro. 
“Apesar dos pedidos de esclarecimento solicitados pela CMVM à PT, verifica-se não ter sido até ao momento apresentada informação essencial, para uma decisão fundamentada”, dizia Carlos Tavares. 
Para o presidente da CMVM, a informação pouco clara sobre as consequências da venda da PT Portugal na combinação de negócios e a falta do relatório da PwC eram razões suficientes para o adiamento da AG. 
A auditoria foi, entretanto, entregue à CMVM e publicada na noite de quinta-feira no site da CMVM.

Na quarta-feira, o Diário Económico escreveu que a assembleia-geral de acionistas da PT SGPS agendada para a próxima semana, dia 12 de janeiro, poderia ser adiada. 
O jornal avança que o presidente da mesa, António Menezes Cordeiro, está a fazer contactos com os principais acionistas para avaliar esta possibilidade, já que a auditoria da PwC às relações entre a operadora e o Grupo Espírito Santo (GES) não foi, ainda, divulgada. 
E, mesmo que o seja nos próximos dias, já não irá a tempo de ser incluída na documentação essencial para os participantes no encontro de acionistas.

Zeinal Bava sabia do empréstimo à Rioforte, diz Morais Pires

Morais Pires disse à PwC que, "no essencial", antes das reuniões tudo estava combinado entre Salgado, Granadeiro e Zeinal Bava.
CRISE NO GES
ATUALIZADO 261 PARTILHAS
EDGAR CAETANO
Zeinal Bava sabia dos empréstimos que foram feitos à Rioforte e terá combinado as operações com Ricardo Salgado e Henrique Granadeiro. A acusação de Morais Pires surge na auditora da PwC.

O antigo administrador financeiro do BES, Amílcar Morais Pires, disse à PwC que os financiamentos da PT à Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo (GES), foram combinados entre Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, numa altura em que este era já presidente da Oi. 
A revelação surge na auditoria realizada pela consultora e que foi divulgada na noite de quinta-feira. 
Um documento que indica que, tanto nos investimentos na ES International como na Rioforte, a subscrição dos instrumentos ocorreu, em várias ocasiões, antes do envio da respetiva ficha técnica.

A auditoria da PwC às relações entre a PT e o GES, divulgada quinta-feira à noite pela CMVM, revela que a 28 de janeiro de 2014, a convite de Ricardo Salgado, o administrador financeiro da PT, Luís Pacheco de Melo, desceu a Avenida Fontes Pereira de Melo para que, nas instalações da BES, o presidente do banco lhe fizesse o que a PwC diz ter sido uma “apresentação” da RioForte.

“Terá sido explicado que o Grupo PT deveria passar a investir em papel comercial emitido pela Rioforte, em detrimento de títulos emitidos pela ESI”, diz a PwC, acrescentando que “foi entregue [a Luís Pacheco de Melo] uma apresentação sobre a reestruturação do GES, que era omissa quanto aos efeitos” da aquisição pela Rioforte da ES Irmãos (cerca de um mês antes) da aquisição por parte da Rioforte do controlo da Espírito Santo Financial Group.

Pouco depois dessa reunião, entre 10 e 21 de fevereiro, atingiram a maturidade 750 milhões de euros em papel comercial da ESI e esse montante reembolsado é imediatamente aplicado na Rioforte. 
Mas além desses 750 milhões, a PT desmobilizou, ainda, 147 milhões de euros em depósitos que tinha no BES para aplicar um total de 897 milhões de euros na Rioforte.

A 26 de março de 2014 há nova reunião, outra vez nas instalações do BES mas, desta feita, além de Luís Pacheco de Melo, estava também Carlos Cruz, diretor financeiro da PT SGPS, e o administrador financeiro Amílcar Morais Pires. 
Quem convocou a reunião? 
“O Eng. Luís Pacheco de Melo refere que a reunião ocorreu a pedido do Dr. Henrique Granadeiro”, diz a PwC. 
Segundo a consultora, “o Dr. Morais Pires refere que a reunião ocorreu a pedido do Dr. Ricardo Salgado e ainda que este teria afirmado que, no essencial, já estaria tudo acordado sobre o tema entre o Dr. Ricardo Salgado, o Dr. Henrique Granadeiro e o Eng. Zeinal Bava“. 
Zeinal Bava que, recorde-se, já tinha assumido a presidência executiva da Oi.

Financiamento “não teria sido necessário”

A PT endividou-se sem necessidade para emprestar ao Grupo Espírito Santo, como já havia sido noticiado pela imprensa nos últimos dias. 
“A PwC verificou, nomeadamente nas aplicações efetuadas em papel comercial da Rioforte em abril de 2014, que foi necessário que a PT Finance e a PT SGPS aumentassem o seu nível de endividamento para que, mantendo as aplicações em papel comercial da Rio forte, conseguissem fazer face aos compromissos assumidos, nomeadamente devido à fusão com a Oi”. 
“Este aumento do endividamento não teria sido necessário caso não tivessem sido feitas as aplicações em papel comercial da Rioforte”, conclui a PwC.

A auditoria revela também que a PT Finance, veículo através do qual a PT se financia nos mercados, emitiu em maio de 2013 mil milhões de euros em dívida, com taxa de 4,625% e maturidade em 2020. 
Metade desde financiamento obtido no mercado foi aplicado em dívida da ESI, diz a PwC. Relativamente a esse mesmo ano de 2013, quando saiu em fevereiro seguinte o relatório e contas da empresa havia o que a PwC chama de “incorreção”. 
O documento falava em cerca de 750 milhões de euros em dívida emitidos pela PT, mas estes títulos “não foram ‘emitidos’ pela PT Finance e pela PT SGPS, mas sim subscritos”, revela a análise da consultora.

Para esta auditoria, diz a PwC, não foi disponibilizada “evidência de qualquer análise de risco que tenha sido efetuada antes da realização de aplicações financeiras em títulos da ESI/Rioforte”. Nem tão pouco foi demonstrado à PwC que “as aplicações efetuadas em títulos da ESI/Rioforte eram as mais atrativas para o Grupo PT SGPS”. Além disso, a PwC identificou “documentação de suporte das emissões de títulos, enviados pelo BES que não indicavam a taxa de juro da aplicação, não indicavam o período em que a aplicação se encontrava em vigor, não continuam as demonstrações financeiras do emitente e não se encontravam assinados pelo emitente”.

A PwC reconhece, também, que algumas informações prestadas pelas pessoas que entrevistou eram “contraditórias”. 
Além disso, “muitas decisões e aprovações eram tomadas de forma informal e sem ser deixada evidência sobre quem tomou determinada decisão, ou sobre quem aprovou determinada transação”. 
A consultora salienta que não incluiu comunicações eletrónicas entre os responsáveis e, entre outras limitações, teve acesso apenas a fotocópias de alguns documentos, que se “assume” que estão conforme os documentos originais.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O síndrome de Tartufo de François Hollande

BRIGITTE GRANVILLE

Professora de Economia Internacional e Economia Política na Universidade Londres e autora do livro "Remembering Inflation". 
Hans-Olaf Henkel, antigo presidente da Federação das Indústrias Alemãs, é professor honorário de Economia na Universidade de Mannheim.
02 Janeiro 2015, 12:02 por Brigitte Granville, Hans Olaf Henkel
Na sua comédia clássica "Tartufo ou o Impostor", Molière mostra que permitir que seja o orgulho, em vez da razão, a ditar as nossoas acções, acaba sempre mal. O presidente francês François Hollande parece sofrer da doença de Tartufo, fazendo repetidamente promessas políticas que não pode honrar, em parte devido a factores que não pode controlar – a saber, a União Monetária Europeia (UME) – mas, sobretudo, porque lhe falta determinação.

Para França, as consequências das falhas de Hollande serão muito mais dramáticas do que a sua queda política. 
De facto, o país poderá enfrentar uma catástrofe, na medida em que as acções de Hollande arriscam afundar a economia numa estagnação sustentada e levar a população francesa, cada vez mais irritada, a eleger como sua sucessora Marine Le Pen, do partido de exterma-direita Frente Nacional.

As políticas económicas de França são insustentáveis, o que significa que os seus factores determinantes - a UME e a abordagem de Hollande - devem mudar radicalmente. 
Até agora, não parece que isso esteja a acontecer.

No início do mês passado, um estudo de opinião mostrou que o índice de aprovação de Hollande caiu de 27% para 12% - o pior resultado de um presidente francês na história da sondagem moderna. 
No mesmo dia, Hollande deu uma longa entrevista, transmitida na televisão, na qual reconheceu o fracasso com novas promessas.

Consideremos o desemprego que, em Setembro, foi de 10,5%, em comparação com apenas 5% na Alemanha. 
Na entrevista, Hollande reconheceu que, apesar da sua promessa, a inversão da tendência negativa do emprego "não aconteceu" este ano. (Hollande não mencionou que, no ano passado, fixou o mesmo objectivo).

O problema do desemprego em França é o resultado de regulações laborais monstruosas (o Código do Trabalho tem 3.648 páginas) e, acima de tudo, de uma carga fiscal asfixiante sobre o trabalho. 
A principal promessa de Hollande - não impor novos impostos no próximo ano - pode ter sido um reconhecimento implícito disso mesmo.

Entretanto, contudo, haverá um aumento do imposto especial sobre o consumo de combustíveis, e um acréscimo de 20% do imposto sobre as propriedades a aplicar nas segundas residências desocupadas em áreas densamente povoadas. 
Como é provável que estas subidas de impostos sejam aprovadas até ao final do ano, serão as últimas – se Hollande cumprir a sua promessa.

Dado o histórico de Hollande - a carga fiscal aumentou em 40 mil milhões de euros nos últimos dois anos – não é provável que o faça. 
Na verdade, a própria equipa de Hollande já está a recuar, com o ministro do Orçamento, Christian Eckert, a afirmar que não é possível descartar mais aumentos de impostos: "Não se pode considerar inalterável uma situação que depende de um contexto internacional que nós não controlamos".

Naturalmente, esse "contexto internacional" é a UME, que coloca constrangimentos externos consideráveis sobre a política francesa. 
Mesmo sem essas limitações, é prudente para os responsáveis políticos manterem as suas opções em aberto.

De qualquer forma, os criadores do euro equivocaram-se ao pensar que a moeda comum iria promover a convergência económica e política entre os seus membros. 
Ao excluir a possibilidade de ajustar a taxa de câmbio para abordar as diferenças de competitividade, o euro tem forçado os países menos competitivos a aplicar uma dolorosa e lenta "desvalorização interna" (limitando os salários reais). 
Isso tem pressionado a procura e os preços, fazendo com que as disparidades entre o desempenho económico dos países membros da Zona Euro aumentassem. 
França tem agora um défice em conta corrente de 2% do PIB, em comparação com o excedente da Alemanha de 8% do PIB.

O impacto deflacionário da desvalorização interna é agravado pela regra, reforçada pelo pacto orçamental de 2012, que diz que os países da Zona Euro são totalmente responsáveis pelas suas próprias dívidas e, portanto, devem adoptar uma disciplina orçamental rigorosa. 
Com a procura espremida, nem mesmo a queda dos salários pode gerar um nível de emprego adequado.

A única solução, como afirmam muitos adeptos do euro, é a união política plena, que permitiria transferências fiscais de países mais competitivos da Zona Euro para os seus homólogos mais fracos. 
Mas o sul de Itália, que não usou as transferências fiscais do norte de que dependia há muito para transformar a sua economia ou aumentar a produtividade, demonstra o impacto reduzido que esta abordagem pode ter. 
A noção de que uma união fiscal da Zona Euro poderia fazer melhor é uma fantasia perigosa.

Uma outra abordagem possível seria as economias fortes da Zona Euro, especialmente a Alemanha, apoiarem as reformas estruturais para a melhoria da produtividade dos países menos competitivos, como França e Itália. 
Isto foi, provavelmente, o que a chanceler alemã, Angela Merkel, quis dizer quando referiu, em discussões privadas da reunião do Conselho Europeu de Dezembro passado, que, embora a Alemanha "não possa permitir transferências para toda a Europa", pode "ajudar a pagar as contas dos médicos". 
Mas, mais tarde ou mais cedo, as economias mais fracas optariam por abandonar tais reformas, recuperando a sua soberania monetária como uma condição necessária - mas longe de ser suficiente - para evitar o colapso económico e social.

Entretanto, Hollande continuará a fazer o papel de Tartufo. 
Bloqueados pela moeda única, a impotência dos políticos franceses para adoptar medidas reais torna inúteis as suas promessas. 
Como resultado, França pode esperar protestos populares, e um aumento ainda maior do apoio aos partidos mais extremistas - acima de tudo, à Frente Nacional de Le Pen.

Brigitte Granville é professor de Economia Internacional e Economia Política na Universidade Londres e autora do livro "Remembering Inflation". Hans-Olaf Henkel, antigo presidente da Federação das Indústrias Alemãs, é professor honorário de Economia na Universidade de Mannheim.

Direitos de Autor: Project Syndicate, 2014.
www.project-syndicate.org
Tradução: Rita Faria