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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Separatistas ucranianos já se referem aos soldados governamentais como “ocupantes”

JOÃO MANUEL ROCHA   11/05/2014 – 19:49
Governo de Kiev qualificou referendo no Leste como uma “farsa criminosa”. Rebeldes querem criar “corpos do Estado e autoridades militares tão depressa quanto possível”.

Nikolai “quer ser independente de todos” e diz que “a Jugoslávia acabou e agora as pessoas vivem bem”.
Foi por isso que o antigo operário votou, na periferia de Mariupol. Irina, entrevistada também pela AFP, decidiu manter-se à margem porque “tudo isto” a faz sentir “desconfortável”. “Não é uma votação normal. Vejam o que se passa, as pessoas vão votar no meio de homens armados”, dizia domingo de manhã, no centro de Donetsk.

O referendo em que os ucranianos de uma dúzia de cidades das regiões de Donetsk e Lugansk foram chamados às urnas pelos separatistas pró-russos, teve uma elevada afluência e terá um resultado previsível. Mas os seus efeitos são incertos. Zhenia, um estudante de 20 anos que a Reuters ouviu em Slaviansk, onde votou, tem como adquirido o pior dos cenários sobre o futuro próximo: “Vai ser ainda guerra”.

Denis Pushilin, co-presidente da autoproclamada República Popular de Donetsk, disse, citado pela agência Interfax, que a partir do anúncio dos resultados, previsto para esta segunda-feira, os soldados governamentais serão considerados “ocupantes” e é preciso criar “corpos do Estado e autoridades militares tão depressa quanto possível”.

A declaração aumenta a incerteza sobre o futuro próximo da Ucrânia e das relações entre a Rússia e o Ocidente. Mas mostra também uma aparente descoordenação entre os líderes pró-russos. Roman Liaguine, presidente da comissão eleitoral da região, citado pelo diário francês Le Monde, tinha dito que em caso de vitória do “sim”, as regiões “soberanas” de Donetsk e Lugansk continuariam a fazer parte da Ucrânia e que só uma recusa do Governo de Kiev em aceitar alterações ao seu estatuto levaria a um pedido de integração na Rússia.

Combates em Slaviansk
Nalgumas das zonas onde se realizou o referendo, a Reuters deu conta de um ambiente quase festivo em algumas improvisadas assembleias de voto. Noutras imperou a tensão. Em Slaviansk, cercada por forças ucranianas, o dia começou com combates, iniciados na noite de sábado, à volta da torre da televisão, nos arredores. Ao princípio da manhã de domingo foram ouvidas explosões, pouco antes de os eleitores começarem a dirigir-se às assembleias de voto do centro, por ruas com barricadas formadas por árvores caídas, pneus, ferro-velho. Mas o balanço feito a meio da tarde por um porta-voz da autoproclamada República de Donetsk, dizia que “nenhum incidente importante” tinha ocorrido.

A ausência de observadores e a falta de garantias de independência abre campo às suspeitas. Repórteres da BBC que visitaram assembleias de voto nas regiões de Donetsk e Lugansk descreveram casos de ausência de cadernos eleitorais e situações em que, embora existissem, a falta do nome na lista não foi impedimento para votar. Notaram também falta de privacidade. Meios de comunicação ucranianos divulgaram um vídeo e fotos que mostram homens supostamente capturados na periferia de Slaviansk, no sábado, com uma mala de boletins preenchidos com votos “sim”. Já antes, os serviços de segurança de Kiev tinham distribuído uma gravação, cuja autenticidade não pôde ser confirmada, sobre uma conversa entre um nacionalista russo e um chefe rebelde de Donetsk. “Façam o que quiserem e escrevam que foi 99%”, ou “digamos 89%”, diz a primeira voz.

Os pró-russos não estabeleceram qualquer taxa mínima de participação para considerarem válida uma votação que tanto o poder interino da Ucrânia como a União Europeia e os Estados Unidos consideram ilegal. Ao início da tarde de domingo reivindicavam já uma participação de perto de 70%.

O governo de Kiev qualificou como “farsa criminosa” a consulta eleitoral que pode levar à secessão das regiões da área industrial de Donbass, fronteira com a Rússia. “O referendo de 11 de Maio inspirado, organizado e financiado pelo Kremlin é juridicamente nulo e não terá qualquer consequência jurídica para a integridade territorial da Ucrânia”, declarou, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

No comentário à votação, a União Europeia falou em “supostos referendos” e repetiu, pela boca de Maja Kocijancic, porta-voz da chefe da diplomacia, Catherine Ashton, o que já se sabia: que os considera “ilegais” e não os reconhece. Em Baku, Azerbeijão, o Presidente francês, François Hollande, referiu-se aos escrutínios como “falsas consultas”, “sem sentido” e “nulas”. “Não quero usar a palavra referendo porque não há nenhum”, disse. “A única eleição que vale”, acrescentou, é a das presidenciais ucranianas previstas para o próximo dia 25.

O secretário americano da Defesa, Chuck Hagel, acusou entretanto a Rússia de, ao contrário do anunciado pelo Presidente russo, Vladimir Putin, não estar a retirar as tropas estacionadas junto à fronteira, calculadas pela aliança atlântica, a NATO, em 40 mil soldados. “É preciso perguntar ao Presidente porque afirma que estão a sair, quando na realidade não é assim”, disse à televisão ABC.

Schroeder culpa UE
A generalidade dos dirigentes ocidentais não hesita em atribuir à Rússia a responsabilidade pela situação na Ucrânia, onde nas últimas semanas foram mortas dezenas de pessoas. Não é o caso do antigo chanceler alemão Gerhard Schroeder, para quem o problema foi criado pela União Europeia, que considera ter obrigado o Governo de Kiev a escolher entre o Ocidente e a Rússia. “O erro fundamental vem da política da UE a favor de um tratado de associação", disse, numa entrevista ao jornal Welt am Sonntag.


“A UE ignorou o facto de a que a Ucrânia é um país profundamente dividido culturalmente. Desde sempre, as pessoas do Sul e do Leste do país são mais viradas para a Rússia e as do ocidente mais viradas para a UE”, disse. Schroder, que é amigo de Putin, relativizou a influência da Rússia sobre os separatistas. “A ideia de que bastaria o Presidente russo, o chefe do Governo, ou quem quer que fosse, dizer ‘basta’ para que tudo entrasse na ordem não é correcta nem realista”, comentou. O líder da Alemanha entre 1998 e 2005 rejeitou as críticas que o acusam de parcialidade na questão por ser presidente do grupo accionista Nord Stream, formado para construir um gasoduto de transporte de gás russo para a Europa através do Báltico, que é detido em 51% pela Gazprom, empresa controlada pelo Estado russo.

Rússia “respeita” referendo mas evita palavra “reconhecimento”

ALEXANDRE MARTINS     12/05/2014  -  09:55  (actualizado às 14:16)
Em Donetsk, afastamento em relação a Kieva recolhe 89% de votos favoráveis. Em Lugansk o resultado foi de 96,2%

Numa declaração preparada com o cuidado que o momento exige, a Rússia anunciou nesta segunda-feira que respeita os resultados do referendo nas regiões de Donetsk e Lugansk, no Leste da Ucrânia, mas não deu quaisquer indicações de estar interessada num cenário igual ao que terminou com a anexação da península da Crimeia.

"Em Moscovo, respeitamos a vontade do povo das regiões de Donetsk e de Lugansk, e contamos com a implementação no terreno do resultado do referendo, de uma forma civilizada, sem a repetição da violência e através do diálogo", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, numa conferência de imprensa na capital russa.

A pergunta feita no referendo de domingo referia apenas a vontade de "autogovernação" das regiões de Donetsk e Lugansk, e não fazia qualquer referência a uma possível adesão à Federação Russa.

Apesar de essa intenção ter sido manifestada por vários líderes separatistas - que falam mesmo na hipótese da realização de um novo referendo no próximo domingo -, por agora Moscovo não precisava de dizer mais nada: a maioria dos habitantes do Leste pode querer afastar-se de Kiev, mas isso não significa, ainda, que queira juntar-se à Rússia.

Sem esse problema para resolver no imediato, o Presidente russo, Vladimir Putin, ficou com mais margem de manobra para gerir o resultado da consulta popular, que os separatistas dizem ter terminado com uma vitória esmagadora do "sim" - 89,07% em Donetsk e cerca de 96,2% em Lugansk.

O cuidado na linguagem usada no comunicado de Moscovo foi notado pelo presidente em exercício da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), o suíço Didier Burkhalter.

"Vocês viram a resposta da Rússia: exprime respeito, mas não o reconhecimento do referendo. Não é, portanto, um reconhecimento dos resultados, e isso é que é importante", disse Burkhalter, que se reuniu na semana passada com Vladimir Putin.

O presidente em exercício da OSCE disse ainda que acredita na "vontade" de todas as partes - incluindo Moscovo - de encetarem "um diálogo" para solucionar a crise na Ucrânia. "O maior desafio é o tempo. Não temos tempo a perder", disse o responsável.

Mas as esperanças do presidente da OSCE não foram suficientes para que a União Europeia (UE) recuasse nas sanções - na mesma reunião em que Didier Burkhalter esteve presente, em Bruxelas, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE decidiram incluir mais 13 nomes na lista de 48 indivíduos visados pelo congelamento de bens e pela proibição de entrada no espaço europeu.

No terreno, as intenções dos separatistas não são claras. Enquanto uns defendem a independência de Kiev, outros apontam para a inclusão na Federação Russa, como deu a entender o autoproclamado presidente da câmara de Slaviansk, Viacheslav Ponomariov: "Esta terra nunca foi Ucrânia. Nós falamos russo."

Questionado pela agência Reuters sobre a possibilidade de os separatistas organizarem um novo referendo (desta vez para discutirem a adesão à Rússia), Ponomariov deixou a questão em aberto: "Não houve nenhuma decisão, mas este referendo mostrou que estamos preparados. Temos capacidade para organizar um referendo ou uma eleição num curto prazo e quase sem custos."

A agência russa RIA cita outro líder separatista, não identificado, que aponta no mesmo sentido: "Se essa decisão for tomada, a vontade do povo será levada em conta."

Os autoproclamados "líderes populares" das regiões de Donetsk e Lugansk sentem-se assim cada vez mais legitimados a declarar a independência em relação a Kiev após os resultados do referendo realizado no domingo.

"A contagem dos votos acabou por ser surpreendentemente fácil. O número de pessoas que votaram 'não' foi relativamente baixo e a proporção de boletins nulos foi baixa, por isso conseguimos realizar a contagem de forma rápida", disse o responsável da Comissão Eleitoral Central - um grupo formado apenas por separatistas pró-russos da autoproclamada República Popular de Donetsk, que não reconhece a legitimidade do Governo interino de Kiev e que favorece uma aproximação a Moscovo.

Kiev contra a "farsa"
Da capital ucraniana chegaram várias declarações de condenação, com destaque para as palavras do Presidente interino, Olexandr Turchinov, que chegou ao poder após a deposição de Viktor Ianukovich, na sequência dos violentos protestos na Praça da Independência.

"A farsa a que os terroristas chamam referendo não é mais do que uma cobertura de propaganda para os assassinatos, os sequestros e outros crimes graves", declarou Turchinov. As autoridades interinas de Kiev “vão manter o diálogo com aqueles que no Leste da Ucrânia não têm sangue nas mãos e que estão prontos a defender os seus objectivos de forma legal", disse o Presidente interino ucraniano.

Antes do referendo, as autoridades de Kiev avisaram os presidentes de câmara de 27 cidades das regiões de Donetsk, Lugansk e Mikolaiv (as duas primeiras no Leste da Ucrânia e a última no Sul, na fronteira com a região de Odessa) que seriam alvo de processos criminais se participassem de alguma forma na consulta popular.

Mas o aviso dificilmente teria algum efeito na maioria dessas cidades, tomadas por separatistas pró-russos e governadas por duas entidades - uma nomeada pelo Governo interino ucraniano e outra autoproclamada pelos separatistas pró-russos.

Enquanto o governador da região de Donetsk nomeado por Kiev, o oligarca Serhi Taruta, descrevia o referendo como "uma farsa", o presidente da autoproclamada República Popular de Donetsk, Denis Pushilin, fazia uma declaração de guerra às tropas ucranianas: "Todos os soldados que fiquem no nosso território após o anúncio oficial dos resultados do referendo serão considerados ilegais e declarados ocupantes", disse Pushilin, citado pela agência russa Interfax.

E os resultados, segundo os separatistas anti-Kiev, foram: "89,07% 'a favor', 10,9% 'contra' e 0,74% dos boletins foram considerados nulos", disse o responsável da comissão eleitoral separatista de Donetsk, Roman Liagin.

Tanto Kiev como os Estados Unidos, a União Europeia e as principais organizações internacionais já anunciaram que não vão reconhecer a legitimidade dos resultados.

Para a generalidade dos observadores internacionais, a consulta popular é ilegal, em primeiro lugar, porque a Constituição ucraniana não prevê a realização de referendos locais. Depois, porque foi organizada e verificada apenas por separatistas pró-russos, e com base em listas eleitorais de 2012. Os boletins de voto também são considerados ilegais de acordo com os padrões internacionais, já que foram meramente fotocopiados e não certificados por uma comissão de eleições reconhecida por todas as partes.


Apesar disso, as fotografias das agências internacionais e as imagens das estações de televisão mostram filas enormes à entrada dos locais de voto. À falta de uma verificação independente, não é possível perceber quantos eleitores depositaram um boletim nas urnas, mas os separatistas dizem que a afluência chegou aos 74,87% em Donetsk e aos 81% em Lugansk.

Vitória esmagadora do “sim” no referendo de Donetsk

PÚBLICO  11/05/2014  -  22:48 (actualizado às 23:07)
Segundo comissão eleitoral, 89,07% votaram a favor da separação da Ucrânia e 10,19% contra.

Quase 90% dos votantes terão dito “sim” à autodeterminação da região de Donetsk, no Leste da Ucrânia, no referendo que decorreu neste domingo, organizado por separatistas pró-russos e considerado ilegal pela comunidade internacional.

A percentagem foi apresentada como resultado “definitivo” pela auto-nomeada Comissão Eleitoral de Donetsk, segundo a qual a participação no referendo foi de 74,8% dos eleitores, tendo o “sim” recebido 89,07% dos votos expressos.

Os resultados do referendo que decorreu simultaneamente na região vizinha de Lugansk ainda não são conhecidos, mas dificilmente serão muito diferentes dos registados em Donetsk.

"Foi fácil contar os boletins, porque o número de pessoas que votou contra era extremamente baixo", disse Roman Liaguine, chefe da comissão eleitoral de Donetsk, citado pela AFP.

O governo de Kiev já qualificou como “farsa criminosa” estes referendos, que mesmo o Presidente russo Vladimir Putin tentou adiar. Ainda antes do anúncio dos resultados, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia já tinha avisado que Kiev não reconhece a validade do referendo (“é juridicamente nulo”), garantindo que não terá “nenhuma consequência jurídica na integridade territorial da Ucrânia”.

Os resultados foram anunciados menos de uma hora depois do encerramento das urnas. Estimava-se que 7,3 milhões de pessoas iriam às urnas.

Este resultado era esperado, mas abre mais um campo d divisão entre a Rússia e a comunidade internacional, que considera este referendo ilegal e tem nas últimas semanas reforçado as sanções económicas à Rússia.

As duas províncias da região industrial de Donbass parecem assim querer seguir o destino da Crimeia, anexada em Março pela Rússia na sequência de um referendo semelhante. Mas, ao contrário da Crimeia, o conjunto destas duas províncias gera cerca de um terço da produção industrial do país e constitui uma região muito densamente povoada.


Estas zonas do território estão actualmente sob o controlo de rebeldes, que se recusam a reconhecer as autoridades provisórias em funções em Kiev, após a queda do Presidente Viktor Ianukovitch, no final de Fevereiro.

Um referendo a fingir, mas não a brincar

EDITORIAL
DIRECÇÃO EDITORIAL 12/05/2014 - 00:13
Hoje vão ser conhecidos os resultados do referendo em Donetsk e Lugansk

Os ucranianos em cerca de uma dúzia de cidades nas regiões de Donetsk e Lugansk foram ontem chamados a votar e a decidir sobre o futuro destas duas regiões que fazem fronteira com a Rússia e onde se concentra grande parte da capacidade industrial da Ucrânia.

A União Europeia, os EUA e, naturalmente, o Governo provisório da Ucrânia já disseram que não iriam reconhecer a legitimidade do referendo. Aliás, chamar referendo ao que se passou ontem pode ser algo exagerado. OThe Washington Post dava conta ontem de uma gravação em que um líder separatista ucraniano se queixava a um responsável político russo sobre as dificuldades que estaria a ter para organizar a logística do referendo E foi-lhe aconselhado a declarar simplesmente que 99% das pessoas votaram no “sim”, “ou, melhor, digamos 89%”.

Os pró-russos dizem que a gravação não é autêntica. Mesmo que assim seja, estamos a falar de um referendo sem observadores, com cadernos eleitorais desactualizados (basta um passaporte para votar), com boletins facilmente falsificáveis, e votos que serão contados apenas pelos activistas que apoiam o “sim”. E havia relatos de camiões a transportar urnas já cheias de boletins, ainda antes do início da votação.

Naturalmente serão apenas os pró-russos a reconhecer a legitimidade do referendo. Mas as consequências do referendo, mesmo que seja a fingir, serão bastante sérias. Os mais radicais sentir-se-ão mais legitimados.


E já não chega procurar o pecado original que, nas palavras de Gerhard Schroder, foi ter-se imposto aos ucranianos a obrigação de escolher entre a Rússia e a União Europeia, passando por cima de questões culturais e étnicas que agora estão a vir ao de cima. Agora trata-se de tentar estancar aquilo que parece ser cada vez mais uma inevitabilidade: a guerra civil.

domingo, 11 de maio de 2014

Parte de veículos blindados russos pintados nas cores da Peacekeepers das Nações Unidas

Pashinsky Diznaytes podrobytsi em "tsn.ua"
Ucrânia, Kiev, Hoje, 00:59
O Oficial falou sobre uma coluna de veículos blindados.

O Chefe do Estado Maior, em actividade, Sergei Pashinsky disse ontem que alguns veículos blindados russos na fronteira com a Ucrânia estão pintados com as cores da força de paz da ONU - disse o enredo TSN.Tyzhden.  
Ele disse que era todo um comboio de veículos blindados.  
Em conformidade com as disposições das Nações Unidas, sobre a introdução de forças de paz só pode ser tomada numa reunião do Conselho de Segurança da ONU. 
Pashinsky ressaltou que qualquer incursão no território da Ucrânia é considerado como uma agressão militar. 
Enquanto isso, O Ministério da Defesa dos EUA argumentam que as forças russas estão em um estado de alto alerta.

30 de abril de 21:02
O Conselho de Segurança da ONU condenou a Rússia de novo, mas não pode ter efectivação
Militares russos podem invadir o território da Ucrânia, fingindo ser pacificadores. Esta é a décima segunda sessão do Conselho de Segurança da ONU com o representante da Ucrânia Yuriy Sergeyev. 
Como afirmado no relato TSN -19:30, ele suspeita que  a Rússia está tentando jogar na Ucrânia da mesma forma que na Abkházia. 
Ele acrescentou que a diplomacia russa atingiu "o mais alto nível de cinismo." 
"O mais alto nível de cinismo -. Que é a ligação para o direito de se defender duma posição onde a Rússia se está comportando como um agressor, Criméia ocupada e interfrir nos assuntos internos da Ucrânia. Estamos profundamente preocupados que na Ucrânia Oriental aparentemente preparando a mesma forma que na Abkházia " - disse Sergeyev. 
Com homólogo ucraniano concordaram, entre outras coisas, o representante do Reino Unido Mark Layyal. 
"O representante russo disse que a Rússia tem uma base legítima para a intervenção na Ucrânia - sob o direito de auto-defesa, aprovado pela Carta das Nações Unidas. Esta declaração -, levanta um distorção russa sobre o direito internacional a um novo nível", - disse um diplomata britânico. 
Em resposta, o embaixador russo Vitaly Churkin o representante permanente da ONU chamou a emergência no Leste Ucrânia da OSCE "provocação".

29 de março de 06:31
Jornalistas TSN conseguiu falar com um militar do exército da Transnístria. 
Medo mútuo quem vive em aldeias que fazem fronteira com a Ucrânia e Transnístria. Entre o meio deles a concentração de meios de tropas na república separatista na fronteira da região de Odessa, sentir-se inquieto e vizinhos na região de Vinnitsa de Transnístria, diz-seno relato TSN.19:30.
A equipa de filmagem da TSN conseguiu dirigir-se à Transnístria. Na fronteira com equipamento militar Vinnitchina não é perceptível, mas os soldados russos não são suficientes. Na república não reconhecida são pacificadores e guardiões de arsenais militares. Foram introduzidos após a guerra e a separação da Transnístria da Moldávia 23 anos atrás. 
Desde o início de Março, quando a Rússia lançou a ocupação militar da Crimeia, o exército da Transnístria e forças de paz russas estão em alerta máximo - uma conversa informal com TSN diz um companheiro casual - sargentos.
A maioria dos transnistrianos têm raízes ucranianas e apenas três passaportes - Transnístria, russos e ucranianos. Mais tarde a ajuda gratuita para cruzar a fronteira com a Ucrânia. Lá transnistrianos continuam vendendo legumes e frutas. Com estes resultados e vivendo a maioria dos moradores de vilas e cidades de fronteira. As pessoas com as notícias russas estão apavoradas agora para viajar para a Ucrânia estão com medo, mas ainda mais medo da guerra. Este transnistrianos conhecidos por apenas 20 anos sobreviverem por si mesmos.



quarta-feira, 2 de abril de 2014

“Não podemos olhar para o Parlamento Europeu como uma prateleira dourada”


Eleições Criticando o método como os partidos formam listas, Elisa Ferreira questiona: no lado da coligação, quem tratará dos assuntos económicos?

Bruno Proença e Rosário Lira

Estas eleições europeias vão ser especiais, pois vão ser debatidos temas fundamentais para o futu­ro próximo de Portugal, nomea­damente o pós-troika.
Essa é uma peça, outra é colocar na agenda aquilo que falta na união bancária, quais são as fun­ções de um banco central.
Não podemos continuar com um BCE que só trata da inflação quando nós temos um problema de de­flação. Enquanto relatora do ‘two-pack’ exigi uma análise sobre a possibilidade de termos um fundo de amortização co­mum da dívida soberana.
Os re­sultados da primeira análise vão ser apresentados em Bruxelas, precisamente porque acima de 60% temos de arranjar uma ma­neira de protelar os prazos e bai­xar os custos dessa dívida.

Isso é uma reestruturação da dí­vida?
Não é se pensarmos...

No sentido da proposta no mani­festo...
Reestruturação, a nível europeu, tem sido utilizado para dizer que não se paga uma parte.
Se o ter­mo que está no manifesto fosse renegociação da dívida, eu esta­ria de acordo.
Neste momento, estou a explorar até ao limite a possibilidade de gerirmos em co­mum a dívida acima dos 60% do PIB.
Testamos várias coisas: eu­robonds, eurobilds...
Tem de es­tar na agenda.
Quando olho para a lista da coligação às europeias, a minha pergunta fundamental é quem é que vai tratar dos assun­tos económicos.
Ao longo dos mandatos, primeiro articulava-me com Silva Peneda, que tinha uma grande influência no grupo PPE, agora estávamos a fazer esta negociação com Diogo Feio, que começava a ter prestígio e a in­fluenciar a agenda do PPE.
Olho para a lista da coligação, Diogo Feio sai.
Para tratar de legislação bancária, legislação de mercados financeiros, quem é que estará lá neste mandato?
É um dos aspec­tos que António José Seguro fez bem ao organizar a lista.
Definiu temas e a União Económica e Monetária foi um deles.

Mas também há críticas à lista do PS, nomeadamente a saída de Capoulas dos Santos que era reconhecidamente um dos maiores especialistas na área da agricul­tura.
E fez um trabalho espectacular.
Eu não falo por António José Se­guro.
Capoulas dos Santos foi uma pessoa, na área da agricul­tura, fundamental.
Fez a reforma da PAC.

Então porque é que sai?
Não sei, não fui eu que fiz a lista, não me pergunte para além da minha competência.
Nem sequer sou do partido.

Discorda da metodologia usada pela coligação PSD/CDS e pelo PS na formação das listas, abusando da rotatividade e das substitui­ções?
Não podemos olhar para o Parla­mento Europeu como uma espé­cie de prateleira dourada para as pessoas serem premiadas por isto ou por aquilo.
Grande parte da agenda nacional é definida a ní­vel europeu, a ideia de que do lado de lá estão os nossos ami­gos...
Não são amigos, são accio­nistas e nós também somos ac­cionistas e temos de defender os nossos interesses. Faltam peças na Europa e nós temos de caval­gar os espaços que tivermos de influência na agenda europeia.

E a lista do PS conseguirá colocar dez deputados?
Acho que sim.
Os cidadãos per­cebem o resultado que deu a agenda anterior, com os ovos to­dos do lado da direita.
Foi dificíli­mo parar a troika, foi dificílimo regular os mercados financeiros.

Qual será o tom desta campa­nha? O Presidente da República pediu contenção de linguagem, até a bem de consensos que pos­sam existir.
Os consensos têm de existir, mas os consensos têm de ter sentido, não podem ser para as partes fi­carem caladas e deixarem de fa­zer o controlo democrático.
Um consenso a sério tem de ser para a agenda europeia.
Troikas não!
Isto não funcionou.
Faltam peças na construção da União Euro­peia, não vale a pena continuar­mos a dizer que a culpa é, em Portugal, do Sócrates...

O PS tem uma alternativa para Portugal?
Claro que temos uma agenda al­ternativa.
O que é errado é que, quando vamos discutir a agenda para as europeias, não façamos mais do que se diz todos os dias nas televisões.
Foi um erro crasso o que se fez em Portugal.
Os mul­tiplicadores estavam errados, os efeitos do ajustamento foram muito mais recessivos do que se esperava. O resultado em termos de desemprego e de recessão foi duplo.

Se a vitória do PS não for esma­gadora, pensa que a liderança de António José Seguro pode estar em casa.
Isso, como dizem os ingleses, ul­trapassa o meu nível de compe­tência.
Não faço a mínima ideia.
Não sou membro do partido, não participo nas discussões internas

António Guterres seria o seu candidato à Presidência?
Ele teria muito perfil para isso.
Aquilo que me desiludiu com Ca­vaco Silva foi não ter percebido quais eram as consequências de reprovar o PEC IV e não senti que tivesse feito, enquanto Presiden­te da República, tudo o que esta­va ao seu alcance para evitar que Portugal fosse empurrado para um cadafalso

‘Reestruturação’, a nível europeu, tem sido utilizado para dizer não se paga uma parte.

Se o termo que está no manifesto fosse renegociação da dívida, eu estaria de acordo.