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sábado, 17 de janeiro de 2015

Pires de Lima não dá preço mínimo para a privatização da TAP

15/1/2015, 21:31
SARA OTTO COELHO
Sem nunca pôr um preço mínimo para a venda da companhia aérea, o ministro da Economia admitiu que era possível o Estado capitalizar a empresa. Mas que isso implicaria uma "reestruturação".

Crescimento e desenvolvimento foram as duas palavras mais usadas por António Pires de Lima para justificar a privatização da TAP. 
Em entrevista ao telejornal da RTP, o ministro da Economia recusou-se a dar um valor mínimo pelo qual o Governo está disponível a vender a companhia aérea portuguesa.

“A TAP tem um valor que é o somatório da sua dívida atual, cerca de mil milhões de euros, o valor de encaixe da privatização e o plano de capitalização da empresa apresentado pelo investidor que vier a ganhar”, explicou Pires de Lima, que disse ainda não ser possível estabelecer à partida um valor para o negócio. 
“O Estado não se pode pôr numa posição de adivinhar qual será esse valor. 
Só ganhará a TAP em termos desta privatização quem consiga cumprir todas estas condições de uma forma satisfatória e apresente as garantias necessárias para assegurar o financiamento da TAP”, disse.

O ministro insistiu que a privatização é conduzida “fundamentalmente” com o objetivo de levar ao crescimento e desenvolvimento da TAP. 
“Nós só poderíamos, enquanto Estado, capitalizar a empresa, como aconteceu em 1994, se simultaneamente apresentássemos um plano, e se este fosse aprovado, para diminuir o número de rotas, de destinos, de aviões e para diminuir o número de empregados na TAP”. Ou seja, reestruturar a empresa. 
“Não é esse o objetivo do Governo. 
Queremos que a TAP se desenvolva para empregar mais pessoas”, defendeu Pires de Lima.

Questionado sobre como é que se pode garantir que o futuro comprador não vai, por exemplo, retirar a TAP do país, o ministro da Economia lembrou que há obrigações no caderno de encargos e que, se não forem cumpridos, o Estado “pode reverter o negócio”. “A TAP volta ao domínio do Estado se as condições não forem cumpridas. 
Esse direito de reversão, que muito raramente é usada numa privatização (…) é um direito que protege estes direitos estratégicos nacionais fundamentais na gestão da TAP”.

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira o caderno de encargos da TAP, com acordo dos sindicatos.

Governo fecha acordo com sindicatos sobre venda da TAP e fala em “paz social”


15/1/2015, 14:00
DAVID DINIS
 Conselho de Ministros aprovou caderno de encargos da TAP, com acordo dos sindicatos. 
Quem ganhar não pode despedir ou vender ações por vários anos. 
Marca TAP e administração em Lisboa são para ficar.

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira o caderno de encargos para a privatização da TAP, conseguindo um acordo com a maioria dos sindicatos da empresa – e com a aprovação da administração de Fernando Pinto e dos conselheiros financeiros que acompanham o processo.

No final do Conselho de Ministros, o secretário de Estado Sérgio Monteiro considerou que as condições negociadas com os sindicatos representam uma “mais-valia”, argumentando que “a paz social dá valor estratégico e financeiro” para o processo de privatização – não retirando valor à negociação que se segue com os candidatos.

O caderno de encargos inclui várias cláusulas de salvaguarda para os trabalhadores, como a impossibilidade de despedimentos coletivos enquanto o Estado tiver ações da empresa, num mínimo de 30 meses. 
O futuro acionista também não poderá vender ações da empresa nos primeiros cinco anos e terá de respeitar o atual acordo de empresa “por um tempo mais alargado”, nas palavras – não quantificadas – de Sérgio Monteiro.

O investidor terá de garantir forte investimento na empresa, assim como a base operacional em Lisboa, para além das ligações estratégicas, quer para as ilhas, quer para países lusófonos e zonas onde há mais emigrantes. 
Estas eram já condições que estavam no processo de privatização que falhou em 2012. 
A marca TAP também não poderá mudar.

Ficou ainda determinado que o processo negociar só terá uma oferta vinculativa – embora possa haver processo de negociação final, se o Conselho Ministros o entender, como tem acontecido noutras privatizações.

Trabalhadores ficam com 5% do capital, no máximo

Estão também já definidos os critérios de seleção dos candidatos à aquisição do grupo. 
O processo de reprivatização do capital social da empresa compreende uma venda direta de referência de ações representativas de até 61% do capital social do grupo TAP e a alienação, numa oferta destinada aos trabalhadores, de um lote adicional de ações representativas de até 5% do capital social.

O Estado beneficia adicionalmente de uma opção de venda sobre o adquirente na venda direta de referência de até 34% do capital social da TAP.

Entre os critérios de seleção do comprador contam-se o valor de compra apresentado, a contribuição para o reforço financeiro da TAP, a apresentação de um projeto estratégico para o crescimento da empresa, a garantia do serviço público, a contribuição para a economia nacional, a ausência de condicionantes jurídicas e a experiência técnica e de gestão.

Financiamento do Estado à TAP não é impossível. Mas tem um preço

PS acusa governo de não ter estudado alternativas à privatização da TAP
15/1/2015, 17:33
ANA SUSPIRO
Privatização não é a única solução para trazer capital à TAP. O Estado é acionista e pode investir na empresa. Mas o preço exigido por Bruxelas pode ser demasiado alto para empresa e trabalhadores.

A solução financeira para a TAP não tem de passar necessariamente por uma privatização ou apenas por investimento privado. 
O Estado pode voltar a apoiar financeiramente a companhia aérea até porque é acionista e poderá, no limite, invocar a perda de capital em caso de falência para vencer a resistência da Comissão Europeia.

As regras da União Europeia não o proíbem e até há exemplos recentes. 
Mas esses casos mostram, também, que o investimento ou apoio financeiro do acionista público demora meses (ou anos) a ser negociado e só é autorizado em troca de condições duras para a própria empresa: reestruturação, venda de ativos, redução de postos de trabalho ou, no mínimo, corte nos custos laborais, fazem parte do preço a pagar para ter a “luz verde” de Bruxelas. 
E esse preço terá de ser pago pelos trabalhadores, mas também pelos passageiros.

Para o especialista em concorrência, Carlos Pinto Correia, o apoio público à TAP, pela informação que é pública, é “possível, mas exigiria condições tanto ou mais penalizadoras do que aquelas que previsivelmente um privado irá impor.” 
O advogado da Linklaters remete para as últimas orientações sobre a matéria definidas pela Comissão Europeia em julho de 2014.

TAP pode receber apoio, porque última ajuda foi há mais de dez anos

Segundo Bruxelas, o principal critério consiste na apresentação de um plano de reestruturação viável, em que pelo menos 50% do esforço seja financiado com uma contribuição da própria companhia. Isto significa que a empresa apoiada terá de gerar ganhos, seja pela venda de ativos ou de poupanças obtidas na operação e, em particular, cortando nos custos laborais.

A Comissão Europeia defende, por exemplo, uma aproximação ao modelo de negócios das transportadoras low-cost com a redução de custos de catering na classe económica, cobrando por serviços extra. 
A refocagem da oferta para rotas lucrativas, a diminuição da frota, o redimensionamento da rede e redução ou venda de atividades deficitárias (no caso da TAP seria certa a venda ou fecho da manutenção no Brasil), fazem ainda parte da lista de tarefas para uma companhia área que receba apoio público.

Por outro lado, as directivas de Bruxelas abrem a porta à possibilidade de a TAP vir a beneficiar de um novo plano de apoios públicos, na medida em que o último pacote de ajudas foi concedido há mais de dez anos. 
“As guidelines para resgate e reestruturação contém uma regra muito forte: não haverá mais ajuda para companhias que receberam apoios para reestruturação na última década”.

PS: Se for para privatizar, que seja em bolsa e até 49%

O PS liderado por António Costa tem aumentado a pressão contra a privatização da maioria do capital da TAP, contestando o argumento do governo de que é a única solução possível para atrair o investimento necessário à recapitalização da transportadora. 
O deputado socialista, Rui Paulo Figueiredo, defende que, ainda antes de avançar com a venda, e “independentemente da sua fúria privatizadora, o governo deveria ter estudado alternativas de recapitalização, aferindo da sua viabilidade com a Comissão Europeia, o que não aconteceu.”

O deputado considera, ainda, que a matéria deveria ter sido discutida com o PS, considerando a proximidade das eleições legislativas, e só se se chegasse à conclusão de que não existiam alternativas, poderia então avançar a privatização que, defendem os socialistas, deveria englobar até 49% do capital, via aumento de capital e colocação de ações em bolsa. 
“Não está demonstrado que a TAP precisa de um parceiro estratégico”, nem que tenham sido estudados outros cenários.

E porque é que o PS não estudou soluções de capitalização com Bruxelas quando esteve no poder? 
Os governos de Sócrates sempre defenderam a privatização parcial da TAP. 
Rui Paulo Figueiredo diz que é uma boa pergunta para colocar aos dirigentes dos executivos em causa, mas deixa a nota: “a posição atual do PS é muito clara”.

O executivo defende a privatização da TAP por convicção, mas também argumenta que é a melhor solução para capitalizar a empresa. 
Um apoio público do Estado, embora não impossível, implicaria uma reestruturação da companhia, com redução da oferta e de trabalhadores, quando o objetivo é o de que a empresa cresça, defendeu já o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro. 
O governo remete ainda para os casos da Alitalia e da Cyprus Airways, companhia que anunciou já este ano que ira fechar portas depois de Bruxelas exigir a devolução de ajudas ilegais de 65 milhões de euros.

Segundo Sérgio Monteiro, a TAP precisa, no mínimo dos mínimos, de 300 milhões de euros para comprar novos aviões. 
A venda de uma posição minoritária não seria atraente para investidores privados. 
E a dispersão em bolsa não é uma opção para uma companhia que necessita de capital e que não está em condições de pagar dividendos, como sucede com os CTT, outra razão que sustenta a opção pela privatização de 66% da transportadora.

Como a Dinamarca e a Suécia financiaram a SAS como “investidores privados” 

As regras definidas para as ajudas de Estado às companhias de aviação, aplicam-se independentemente de quem é o seu acionista. 
Mas, considerando que o capital da TAP é público, o Estado português poderia, em tese, apoiar a empresa se seguisse a lógica de investidor privado, o que fugiria ao mecanismo do auxílio de Estado.

Bruxelas já deixou passar apoios públicos a companhias de transporte aéreo com base nesta argumentação. 
Isto porque não é considerado auxílio de Estado quando um apoio é dado em simultâneo com uma injeção considerável de capital por parte de um privado, em condições e circunstâncias tidas como comparáveis, sublinha outro jurista ouvido pelo Observador. 
Foi o que aconteceu com a linha de crédito de 400 milhões de euros, concedida à companhia escandinava SAS, que recebeu “luz verde” em julho do ano passado.

Bruxelas começou por torcer o nariz à concessão de uma linha de apoio à liquidez por parte dos governos da Dinamarca, Suécia e Noruega em 2012. 
O financiamento era a renovação de uma outra linha, mas os acionistas públicos passavam a assumir maior exposição do que os privados. 
E esta é precisamente a questão central. 
Convencer a Comissão de que, para os privados, o envolvimento do Estado não é uma condição essencial para investirem. 
O facto de a SAS ter capital privado, 50%, ajuda a reforçar esta tese.

Os estados tiveram de provar que um investidor privado teria participado no apoio nas circunstâncias em que ele ocorreu e com condições semelhantes. 
Suécia e Dinamarca recorreram a consultores internacionais (a Goldman Sachs) para ajustarem o plano de reestruturação e de negócios às reservas de Bruxelas. 
Em causa estava a adoção de um conjunto de medidas exaustivas e consequentes que garantissem a viabilidade da empresa a médio e longo prazo e assegurassem um retorno convincente, pelo menos no papel.

O plano passou pelo corte do número de trabalhadores – segundo adiantou ao Observador um porta-voz da SAS o efetivo diminuiu em dois mil funcionários e existem negociações para a venda total do handling, com cinco mil colaboradores, redução de custos, incluindo a revisão de acordos salariais e de pensões e a redução de benefícios, venda de ativos e reorganização das operações. 
Ou seja, a receita acabou por não ser assim tão diferente da imposta em caso de ajuda de Estado. 
A SAS tem mais do dobro da dimensão da TAP em passageiros e receitas.

Será mais difícil financiar a TAP se o Estado deixar de ser acionista

Para aquele apoio passar foi também fundamental o argumento, usado pelos estados, de que a alternativa seria a falência da SAS, o que implicaria perdas muito mais avultadas para o acionista público do que o financiamento dado. 
Esta condição também é invocável na TAP e até pode servir de argumento aos que contestam a privatização, na medida em que o Estado ficará mais condicionado para apoiar a empresa no futuro se deixar de ser acionista.

Por outro lado, a concessão de apoios públicos numa solução mista que envolvesse privados teria maior aceitação em Bruxelas, para quem o objetivo da privatização é sempre um ponto valorizado.

German Efromovich à espera do caderno de encargos para tomar decisão

16/1/2015, 11:21
Agência Lusa
O empresário German Efromovich, único candidato à privatização da TAP em 2012, só decidirá se avança novamente à compra da companhia aérea quando o caderno de encargos estiver disponível.

O empresário German Efromovich, único candidato à privatização da TAP em 2012, só vai tomar uma decisão sobre se avança novamente à compra da companhia aérea quando o caderno de encargos, aprovado na quinta-feira, estiver disponível.

Em resposta à Lusa, Efromovich disse estar de férias, remetendo comentários sobre o processo de privatização da transportadora portuguesa para quando o caderno de encargos “estiver disponível”, altura em que irá “definir o que fazer”.

O Governo aprovou na quinta-feira, em Conselho de Ministros, o caderno de encargos da privatização da TAP, no qual estão definidos os critérios de seleção dos candidatos à aquisição do grupo e as obrigações do novo dono.

Em 2012, a Synergy Aerospace, detida pelo empresário German Efromovich, foi a única empresa na corrida à privatização da TAP, que acabou por ser recusada por falta de garantias bancárias.

O empresário português Miguel Pais do Amaral, com o antigo dono da Continental Airlines, Frank Lorenzo, o grupo espanhol Globalia, dono da Air Europa, o empresário Gérman Efromovich e a companhia brasileira Azul têm sido apontados na imprensa como interessados na operação.

Na quinta-feira, Miguel Pais do Amaral congratulou-se, em declarações à Lusa, com a aprovação pelo Governo do caderno de encargos no “‘timing’ prometido” e disse que só se pronunciará sobre o documento quando este for publicado.

Já hoje, fonte da transportadora brasileira Azul disse à Lusa não querer, para já, “comentar o assunto”.

O processo de reprivatização do capital social da empresa compreende uma venda direta de referência de ações representativas de até 61% do capital social do grupo TAP e a alienação, numa oferta destinada aos trabalhadores, de um lote adicional de ações representativas de até 5% do capital social”.

O Estado beneficia adicionalmente de uma opção de venda sobre o adquirente na venda direta de referência de até 34% do capital social da TAP.

Entre os critérios de seleção do comprador contam-se o valor de compra apresentado, a contribuição para o reforço financeiro da TAP, a apresentação de um projeto estratégico para o crescimento da empresa, a garantia do serviço público, a contribuição para a economia nacional, a ausência de condicionantes jurídicas e a experiência técnica e de gestão.

O comprador da TAP tem que assegurar o reforço da capacidade económico-financeira da empresa e assumir compromissos de estabilidade laboral, de acordo com o caderno de encargos da privatização hoje aprovado pelo Governo em Conselho de Ministros.

“É também exigida a garantia de execução de um projeto estratégico, tendo em vista a preservação e promoção do crescimento da TAP, conservando a marca TAP e a sua associação a Portugal e assegurando que a sede e a direção efetiva do grupo continuam a estar localizados em Portugal”, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

O Governo vai ainda avaliar a contribuição do projeto para o crescimento da economia nacional, incluindo o desenvolvimento do atual ‘hub’ da TAP (no aeroporto de Lisboa) como plataforma estratégica nas relações entre Europa, África e América Latina.

A intenção do Governo é selecionar o investidor “até ao final do primeiro semestre”, mas o calendário não está definido no caderno de encargos.

De acordo com o caderno de encargos aprovado, será tida em conta a experiência técnica e de gestão no setor da aviação, a sua idoneidade e capacidade financeira na escolha do futuro dono de até 66% do grupo TAP.

As ações a alienar no processo de privatização ficam sujeitas a um período de indisponibilidade de cinco anos.

Governo garante: todos os trabalhadores da TAP estão protegidos

ATUALIZADO      152 PARTILHAS
DAVID DINIS
Pires de Lima volta atrás e garante: todos trabalhadores, mesmo os que são representados pelos sindicatos que não desconvocaram a greve, estão protegidos contra o despedimento coletivo.

Não haverá qualquer processo de despedimento coletivo na TAP durante um período de 30 meses após a privatização ou enquanto o Estado mantiver a posição de acionista na empresa. 
Nem para os trabalhadores representados pelos nove sindicatos que aceitaram desconvocar a greve, nem para os restantes três que mantiveram a posição inicial. 
A garantia foi dada pelo ministro da Economia, António Pires de Lima, depois da cerimónia de assinatura do acordo que juntou à mesa Governo e nove dos doze sindicatos da TAP.

Foi o próprio, em declarações aos jornalistas, que se prestou a esclarecer a posição que tinha assumido na quinta-feira, na TVI24: na altura, tinha afirmado que o acordo na TAP só se deveria aplicar a quem se associou ao objetivo da paz social, o que parecia insinuar que os trabalhadores representados pelos três sindicatos que não aceitaram sentar-se à mesa das negociações e desconvocar a greve não estavam abrangidos por esta medida de proteção laboral. 
O Observador sabe que esta hipótese esteve em cima da mesa e que o Governo chegou mesmo a estudar as implicações jurídicas de uma aplicação apenas parcial. 
Mas o primeiro-ministro não quis correr riscos processuais na privatização, considerada como essencial para a viabilização da empresa.

O Observador sabe, também, que esta opção era apoiada pelos nove sindicatos – que pertencem ou são próximos da UGT. 
Mais: de acordo com o Público, os três sindicatos que se posicionaram do outro lado das trincheiras – próximos da CGTP – sofreram, nos últimos dias, um decréscimo no número de membros – depois das notícias que davam conta de que apenas alguns trabalhadores estariam abrangidos pelo acordo, houve quem pedisse para trocar de sindicato ou para se inscrever pela primeira vez num dos sindicatos que aceitaram desconvocar a greve.

O recuo do Governo começou a registar-se já esta manhã, durante o debate quinzenal. Pedro Passos Coelho garantiu que não havia nenhuma dúvida: “Os acordos de empresa terão de ser respeitados pelos futuros compradores. 
Aqui prevalece a norma geral do direito, não há nenhuma restrição quanto à aplicação desses acordos”. 
Poucas horas depois, foi a vez de Pires de Lima o confirmar: todos os trabalhadores estão protegidos por esta medida.

Líder do PS acusa Governo de falta de “visão estratégica”

A TAP "cumpre uma função estratégica única e indispensável em Portugal", afirmou Costa
17 de Janeiro de 2015  -  21:00
Agência Lusa
Sem a TAP, Portugal fica "aquele jardim à beira-mar plantado", periférico e sem "função na Europa e redes globais", acredita o secretário-geral do Partido Socialista.

O secretário-geral do PS defendeu neste sábado que com a TAP privatizada Portugal fica “aquele jardim à beira-mar plantado”, periférico e sem “função na Europa e redes globais”, acusando o Governo de falta de “visão estratégica”.

António Costa concentrou-se na questão da companhia aérea portuguesa, “da maior gravidade”, considerando que a empresa “cumpre uma função estratégica única e indispensável em Portugal” de ligação com a diáspora e de instrumento para o país ser a plataforma de ligação, como é “desde há 600 anos” com África e a América Latina, algo que “já não é assegurado pelas caravelas”.

“Se quisermos ser efetivamente um país pequeno, aquele de que tantas vezes ouvimos falar, de ser simplesmente um jardim à beira-mar plantado, na extrema periferia da Europa, se calhar não precisamos de TAP. 

Se quisermos ter uma função, quer na Europa, quer nas redes globais, diferente, então Portugal precisa da TAP e não pode correr o risco de um dia a perder”, disse, num debate organizado pela Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL), no edifício-sede, em Lisboa, sobre “O Papel do Estado nos Setores Estratégicos”.

Para o candidato a primeiro-ministro, “o Governo nunca esclareceu que iniciativa concreta teve junto da Comissão Europeia para saber se era viável resolver o problema da TAP com fundos públicos”, mostrando-se “convencido de que (o executivo da maioria PSD/CDS-PP) nunca o fez” e lamentando que o PS não tenha sido ouvido no processo, dado haver eleições “a um ano”.

“Cada vez que olhamos para uma decisão do Governo, percebemos bem que uma das razões pelas quais governa mal é porque não tem uma visão estratégica sobre o futuro do país. 
Nós nunca podemos comprometer, com uma decisão que tomamos hoje, aquilo que são os interesses permanentes e estratégicos de um país como Portugal”, defendeu.

O líder socialista criticou ainda o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas por “prosseguir a política da ‘troika’” e “ir mais além”, lembrando que o memorando de entendimento com Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional previa uma receita total de cinco mil milhões de euros e “o Estado já arrecadou cerca de oito mil milhões de euros, ultrapassando o objetivo acordado”.

O antigo comissário europeu e ex-ministro socialista António Vitorino tinha antes afirmado que “não há uma regra europeia sobre setores estratégicos” e que os “tratados salvaguardam a neutralidade sobre os fatores de produção”. 
“Semanalmente, há uma bateria de ajudas a empresas públicas ou mistas sujeitas a uma autorização prévia por parte da União Europeia, no sentido de impedir que sejam fator de distorção da concorrência no mercado interno”, explicou, sobre a possibilidade de intervenção estatal na TAP.

Já o economista Luís Campos e Cunha, também presente, declarou que “não há nada que não se possa dizer que é estratégico em economia”, embora admitindo que “há muita coisa que os economistas não sabem, tal como nas outras ciências”.

“A TAP faz serviços estratégicos para o país, o que é diferente de ser uma empresa estratégica. 
São alguns serviços e não a empresa em si”, disse, acrescentando que “o poder político tem poderes para atuar, mas há os problemas da falta de conhecimento e de controlo de vários fenómenos na economia e da incapacidade da administração pública”, sendo “mais fácil fazer asneiras do que coisas boas ou acertadas”.