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quarta-feira, 2 de abril de 2014

“Não podemos olhar para o Parlamento Europeu como uma prateleira dourada”


Eleições Criticando o método como os partidos formam listas, Elisa Ferreira questiona: no lado da coligação, quem tratará dos assuntos económicos?

Bruno Proença e Rosário Lira

Estas eleições europeias vão ser especiais, pois vão ser debatidos temas fundamentais para o futu­ro próximo de Portugal, nomea­damente o pós-troika.
Essa é uma peça, outra é colocar na agenda aquilo que falta na união bancária, quais são as fun­ções de um banco central.
Não podemos continuar com um BCE que só trata da inflação quando nós temos um problema de de­flação. Enquanto relatora do ‘two-pack’ exigi uma análise sobre a possibilidade de termos um fundo de amortização co­mum da dívida soberana.
Os re­sultados da primeira análise vão ser apresentados em Bruxelas, precisamente porque acima de 60% temos de arranjar uma ma­neira de protelar os prazos e bai­xar os custos dessa dívida.

Isso é uma reestruturação da dí­vida?
Não é se pensarmos...

No sentido da proposta no mani­festo...
Reestruturação, a nível europeu, tem sido utilizado para dizer que não se paga uma parte.
Se o ter­mo que está no manifesto fosse renegociação da dívida, eu esta­ria de acordo.
Neste momento, estou a explorar até ao limite a possibilidade de gerirmos em co­mum a dívida acima dos 60% do PIB.
Testamos várias coisas: eu­robonds, eurobilds...
Tem de es­tar na agenda.
Quando olho para a lista da coligação às europeias, a minha pergunta fundamental é quem é que vai tratar dos assun­tos económicos.
Ao longo dos mandatos, primeiro articulava-me com Silva Peneda, que tinha uma grande influência no grupo PPE, agora estávamos a fazer esta negociação com Diogo Feio, que começava a ter prestígio e a in­fluenciar a agenda do PPE.
Olho para a lista da coligação, Diogo Feio sai.
Para tratar de legislação bancária, legislação de mercados financeiros, quem é que estará lá neste mandato?
É um dos aspec­tos que António José Seguro fez bem ao organizar a lista.
Definiu temas e a União Económica e Monetária foi um deles.

Mas também há críticas à lista do PS, nomeadamente a saída de Capoulas dos Santos que era reconhecidamente um dos maiores especialistas na área da agricul­tura.
E fez um trabalho espectacular.
Eu não falo por António José Se­guro.
Capoulas dos Santos foi uma pessoa, na área da agricul­tura, fundamental.
Fez a reforma da PAC.

Então porque é que sai?
Não sei, não fui eu que fiz a lista, não me pergunte para além da minha competência.
Nem sequer sou do partido.

Discorda da metodologia usada pela coligação PSD/CDS e pelo PS na formação das listas, abusando da rotatividade e das substitui­ções?
Não podemos olhar para o Parla­mento Europeu como uma espé­cie de prateleira dourada para as pessoas serem premiadas por isto ou por aquilo.
Grande parte da agenda nacional é definida a ní­vel europeu, a ideia de que do lado de lá estão os nossos ami­gos...
Não são amigos, são accio­nistas e nós também somos ac­cionistas e temos de defender os nossos interesses. Faltam peças na Europa e nós temos de caval­gar os espaços que tivermos de influência na agenda europeia.

E a lista do PS conseguirá colocar dez deputados?
Acho que sim.
Os cidadãos per­cebem o resultado que deu a agenda anterior, com os ovos to­dos do lado da direita.
Foi dificíli­mo parar a troika, foi dificílimo regular os mercados financeiros.

Qual será o tom desta campa­nha? O Presidente da República pediu contenção de linguagem, até a bem de consensos que pos­sam existir.
Os consensos têm de existir, mas os consensos têm de ter sentido, não podem ser para as partes fi­carem caladas e deixarem de fa­zer o controlo democrático.
Um consenso a sério tem de ser para a agenda europeia.
Troikas não!
Isto não funcionou.
Faltam peças na construção da União Euro­peia, não vale a pena continuar­mos a dizer que a culpa é, em Portugal, do Sócrates...

O PS tem uma alternativa para Portugal?
Claro que temos uma agenda al­ternativa.
O que é errado é que, quando vamos discutir a agenda para as europeias, não façamos mais do que se diz todos os dias nas televisões.
Foi um erro crasso o que se fez em Portugal.
Os mul­tiplicadores estavam errados, os efeitos do ajustamento foram muito mais recessivos do que se esperava. O resultado em termos de desemprego e de recessão foi duplo.

Se a vitória do PS não for esma­gadora, pensa que a liderança de António José Seguro pode estar em casa.
Isso, como dizem os ingleses, ul­trapassa o meu nível de compe­tência.
Não faço a mínima ideia.
Não sou membro do partido, não participo nas discussões internas

António Guterres seria o seu candidato à Presidência?
Ele teria muito perfil para isso.
Aquilo que me desiludiu com Ca­vaco Silva foi não ter percebido quais eram as consequências de reprovar o PEC IV e não senti que tivesse feito, enquanto Presiden­te da República, tudo o que esta­va ao seu alcance para evitar que Portugal fosse empurrado para um cadafalso

‘Reestruturação’, a nível europeu, tem sido utilizado para dizer não se paga uma parte.

Se o termo que está no manifesto fosse renegociação da dívida, eu estaria de acordo.

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