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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Maria Luís ficou alarmada com avisos de Salgado - e confrontou Carlos Costa sobre a solidez do BES

10:49 Quarta feira, 19 de novembro de 2014
PEDRO SANTOS GUERREIRO e FILIPE SANTOS COSTA


Era dia de Santo António, feriado em Lisboa, nas Finanças Maria Luís Albuquerque escreve a Carlos Costa. Como o Expresso noticiara, Ricardo Salgado estivera reunido com a ministra das Finanças pedindo um apoio e alertando para os riscos sistémicos do colapso do BES. O Banco de Portugal estava mesmo seguro que tinha a situação controlada?, quis saber Maria Luís. Mais tarde saberia que não.
Documento: carta
Data: 13 de junho de 2014
De: Maria Luís Albuquerque, ministra da Estado e das Finanças
Para: Carlos Costa, governador do Banco de Portugal

Ricardo Salgado e José Honório haviam desenhado um plano: dramatizar os efeitos na economia que resultariam da quebra do BES. Com base no argumento do efeito sistémico, foram marcadas reuniões com o governo. Uma dessas reuniões, que o Expresso na altura noticiou, colocou na mesma sala a ministra das Finanças e o então ainda líder do BES, que pediu um empréstimo bancário liderado pela Caixa Geral de Depósitos para lidar gradualmente com o problema. O governo recusou. Mas ficou preocupado. Tanto que passou a admitir o cenário de "materialização dos riscos identificados".

É o que se depreende de uma carta enviada a 13 de junho por Maria Luís Albuquerque a Carlos Costa: "Tenho vindo a ser contactada por diversos responsáveis no grupo e no banco que me alertaram para eventuais riscos para a estabilidade financeira advenientes dessa situação. Alguns dos potenciais factos geradores desses riscos têm vindo a ser noticiados publicamente. Não obstante, V. Exa tem asseverado, nos nossos múltiplos contactos, que o banco de Portugal identificou e conteve os riscos derivados da atividade não bancária da atividade bancária do grupo BES".

Este parágrafo revela duas coisas: que o governo confiara (e confiava) no Banco de Portugal, que era o centro da gestão da crise, mas que agora estava alarmada pelo contraste entre os alertas do lado de Salgado e a segurança do lado do Banco de Portugal. Maria Luís passa a falar do cenário de colapso como uma possibilidade e previne: é preciso que Banco de Portugal e Ministério das Finanças estejam alinhados na mensagem.

"Num cenário de materialização dos riscos identificados, importa assegurar que o Ministério das Finanças e o Banco de Portugal, no quadro das respetivas responsabilidades, têm uma mensagem consistente", prosseguiu, concluindo depois com um pedido de mais informação ao Banco de Portugal, nomeadamente "sobre os planos de contingência que o Banco de Portugal tenha desenvolvido no caso de se materializarem riscos imprevistos no Grupo BES que possam pôr em causa a estabilidade financeira".


Esta carta demorou três semanas a ser respondida pelo Banco de Portugal, que enviou carta a Maria Luís Albuquerque a 7 de julho, quando Ricardo Salgado estava prestes a sair do BES e três semanas antes da resolução do banco.

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